A polêmica fuga do Titanic: como o aristocrata Cosmo Duff-Gordon se salvou deixando para trás mulheres e crianças

Publicado em 11/05/25 às 07:57

Um nome da aristocracia britânica entrou para a história não por seus feitos esportivos ou linhagem nobre, mas por sua controversa participação em um dos episódios mais trágicos do século XX. Cosmo Edmund Duff-Gordon, barão escocês e medalhista olímpico em esgrima nos Jogos Intercalados de Atenas de 1906, foi rotulado pela imprensa da época como “O Covarde do Titanic”.

Na madrugada entre os dias 14 e 15 de abril de 1912, enquanto o transatlântico Titanic afundava nas águas geladas do Atlântico Norte, Duff-Gordon embarcou em um dos botes salva-vidas junto com sua esposa, Lucile, e a secretária do casal, Laura Francatelli. O trio viajava sob o nome falso de “Sr. e Sra. Morgan”, em uma tentativa de manter discrição. Lucile, divorciada e estilista renomada da alta sociedade, preferia evitar escândalos.

O bote utilizado pelo grupo era o de número 1, originalmente reservado para membros da tripulação. Apesar de sua capacidade para até 40 pessoas, apenas 12 ocupantes embarcaram, incluindo dois passageiros de primeira classe, alguns fogonheiros e dois tripulantes. Testemunhos apresentados em inquéritos posteriores indicam que a regra de prioridade para mulheres e crianças não foi seguida na ocasião.

A polêmica ganhou força após relatos de que, já em segurança, Duff-Gordon teria oferecido cinco libras esterlinas aos tripulantes do bote. Segundo o próprio barão, o valor foi um gesto de compensação pelas perdas sofridas pelos marinheiros. Contudo, a interpretação popular foi outra: um suborno para garantir que o bote não retornasse para resgatar sobreviventes, mesmo diante dos gritos de socorro ouvidos no mar.

O casal foi resgatado pelo navio RMS Carpathia e, na sequência, tornou-se alvo de investigação formal liderada pela Scotland Yard. Apesar de não terem sido encontradas evidências que configurassem crime ou suborno, a imagem pública de Duff-Gordon foi severamente abalada.

Veículos de imprensa britânicos passaram a se referir ao bote número 1 como “O Barco do Dinheiro”, em alusão à suposta compra da sobrevivência em detrimento da vida de outros. Historiadores, como Gareth Russell em seu livro The Ship of Dreams, destacam que a tragédia do Titanic não testou apenas as capacidades tecnológicas e marítimas da época, mas também o caráter moral de seus passageiros.

Mesmo inocentado pela justiça, Duff-Gordon foi condenado pela opinião pública e carregou o estigma até o fim de sua vida. Para muitos, sua figura simboliza o distanciamento e a frieza da elite diante de uma das maiores tragédias marítimas da história.