Uso do celular antes de dormir pode aumentar em até 59% o risco de insônia, aponta estudo
Por Sandro Felix
Publicado em 07/05/25 às 16:02
Em tempos em que o celular parece quase uma extensão do corpo humano, inclusive na hora de dormir, um novo estudo realizado na Noruega traz um importante alerta sobre os riscos dessa prática: o uso de dispositivos móveis durante a noite pode estar literalmente roubando nosso sono.
A pesquisa, conduzida pelo Instituto Norueguês de Saúde Pública, analisou dados de mais de 45 mil universitários entre 18 e 28 anos. Os resultados revelam uma relação direta entre o tempo gasto em frente às telas antes de dormir e o aumento de transtornos do sono, especialmente a insônia.
Um dos dados mais preocupantes do estudo mostra que apenas uma hora adicional no celular após deitar pode elevar o risco de insônia em até 59%. O que o usuário faz durante esse tempo — seja assistir a uma série, ler notícias, estudar ou navegar nas redes sociais — pouco importa. O impacto negativo é praticamente o mesmo.
Segundo a principal autora da pesquisa, Gunnhild Johnsen Hjetland, o fator determinante não é o tipo de conteúdo acessado, mas sim o tempo que se rouba do sono. Ela explica que o fenômeno observado é chamado de “deslocamento temporal“, em que quanto mais tempo se passa conectado, menos se dorme.
Sacrificando o descanso por telas
A pesquisa ressalta uma contradição alarmante: apesar da ampla consciência sobre a importância do sono para a saúde mental, física e o desempenho acadêmico, os jovens continuam sacrificando o descanso em troca do tempo de tela. De acordo com Hjetland, os distúrbios do sono entre universitários são mais comuns do que se imagina, e essa dependência noturna da tecnologia só agrava o problema.
Outro comportamento que preocupa os especialistas é o doomscrolling, hábito de consumir compulsivamente notícias negativas nas redes sociais antes de dormir. A neurocientista Chelsie Rohrscheib, diretora científica da Wesper, destaca que esse comportamento ativa a amígdala — região cerebral responsável pelo medo —, desencadeando a produção de hormônios do estresse como cortisol e adrenalina.
O resultado é um cérebro em estado de alerta, quando deveria estar se preparando para o repouso. Além disso, o doomscrolling alimenta ciclos de ansiedade e pensamentos obsessivos, tornando ainda mais difícil o processo de adormecer.
O que os especialistas recomendam
Embora o estudo não estabeleça uma relação de causa e efeito de forma definitiva, os dados são suficientemente sólidos para sugerir mudanças nos hábitos noturnos. A recomendação dos especialistas é clara: evite o uso de telas por pelo menos 30 minutos antes de dormir.
Rohrscheib aconselha a criação de uma rotina relaxante que exclua dispositivos eletrônicos. Entre as sugestões estão:
- Ler um livro físico;
- Meditar;
- Tomar um banho quente;
- Ouvir música calma.
Mas o conselho principal é simples e direto: afaste-se do celular para que o corpo e a mente possam realmente descansar.