Lula colossal transparente é capturada em vídeo pela primeira vez após um século desde sua descoberta

Publicado em 16/04/25 às 07:20

Um marco histórico na biologia marinha acaba de ser alcançado: uma lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni) foi registrada viva pela primeira vez em seu habitat natural, um século após ter sido descoberta.

O raro flagrante ocorreu durante uma expedição científica realizada pelo navio de pesquisa Falkor, do Schmidt Ocean Institute, próximo às Ilhas Sandwich do Sul, no Oceano Atlântico Sul. Utilizando um veículo operado remotamente, a equipe capturou as imagens a uma profundidade de 600 metros (1.968 pés).

O animal filmado é um exemplar juvenil, medindo cerca de 30 centímetros, com corpo translúcido, olhos iridescentes, ganchos característicos nos braços e estruturas em forma de clava nas extremidades dos tentáculos. A transparência, comum nos primeiros estágios de vida, contrasta com o tom avermelhado observado nos braços — um indicativo de que esse animal pode alternar entre o visual transparente e opaco, como explicou a Dra. Kat Bolstad, professora associada no Laboratório da Universidade de Tecnologia de Auckland.

Durante 100 anos, nós encontramos principalmente restos da espécie no estômago de baleias e aves marinhas, ou como predadores de peixes que são alvo da pesca, explicou a pesquisadora.

A lula-colossal pertence à família das lulas-de-vidro (Cranchiidae) e foi inicialmente descrita em 1925, a partir de amostras incompletas encontradas no estômago de um cachalote. Sua raridade e o fato de viver em águas profundas sempre tornaram o estudo direto da espécie um enorme desafio.

A recente gravação também permitiu aos cientistas diferenciar claramente a lula-colossal da semelhante lula-de-vidro glacial (G. glacialis), também observada durante a expedição. Enquanto a segunda cresce até 50 centímetros, a lula-colossal pode atingir até 7 metros de comprimento e pesar 500 quilos — uma verdadeira gigante dos mares.

Essa conquista marca um novo capítulo na exploração das profundezas oceânicas e reforça a importância de missões científicas de longo prazo para desvendar os mistérios da vida marinha.