
Cansaço e frustração | Jovens da Geração Z querem abandonar empregos e viver de benefícios
Por Sandro Felix
Publicado em 11/04/25 às 07:53
A geração Z, formada por jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2010, está reavaliando profundamente sua relação com o mercado de trabalho. Segundo levantamento recente da consultoria Randstad, 38% dos jovens entre 18 e 24 anos já deixaram um emprego por incompatibilidade com a vida pessoal. Mais impressionante ainda: 58% afirmam que estariam dispostos a fazer o mesmo.
Esse comportamento não é isolado, mas resultado direto de um cenário de instabilidade econômica, pandemia e mudanças culturais. O fenômeno conhecido como NEET — jovens que não estudam, não trabalham e não se qualificam — ganha força em meio à precarização das oportunidades e à frustração com a lógica corporativa tradicional.
Do esgotamento emocional à busca por alternativas
Com empregos temporários, jornadas exaustivas e salários baixos — 35% dos jovens ganham menos de R$ 1.800,00 mensais — muitos acabam abandonando suas ocupações por puro esgotamento. A isso se somam os problemas de saúde mental: segundo a OMS, um em cada sete adolescentes sofre com algum transtorno mental, e os jovens de famílias de baixa renda são os mais vulneráveis, segundo a organização Save the Children.
As empresas, por sua vez, ainda demonstram dificuldade em se conectar com essa nova geração. Mais da metade dos empregadores admite dificuldade em reter jovens talentos, e apenas 41% os consideram motivados. Pior: só um em cada cinco líderes percebe quando um colaborador está prestes a sair, evidenciando a falta de diálogo e empatia nos ambientes corporativos.
Ao mesmo tempo, o retorno ao trabalho 100% presencial e a resistência ao home office — que hoje sobrevive em apenas 13% das empresas brasileiras — reforçam o sentimento de desconexão com um modelo que parece ignorar as mudanças sociais e tecnológicas das últimas décadas.
Esses fatores também afetam diretamente a emancipação dos jovens. De acordo com dados do IBGE, cerca de 25% dos brasileiros entre 25 e 34 anos ainda vivem com os pais, refletindo uma crescente dificuldade de emancipação juvenil. Embora não haja um número exato, muitos dos que conseguem sair de casa continuam dependendo financeiramente da família para cobrir despesas básicas, devido a salários baixos e ao alto custo de vida.
A geração Z não está desistindo de trabalhar — está apenas recusando aceitar um modelo que já não serve para os seus sonhos, necessidades e limites. E, ao que tudo indica, essa mudança veio para ficar.


