EUA impõem tarifa de 104% sobre produtos chineses e intensificam guerra comercial
Por Sandro Felix
Publicado em 08/04/25 às 17:11
A Casa Branca confirmou nesta terça-feira (8) que os Estados Unidos aplicarão, a partir de amanhã (quarta-feira, 9), uma tarifa de 104% sobre todos os produtos importados da China. A medida representa o ponto mais agudo da escalada comercial entre as duas maiores economias do mundo e já provoca reações intensas nos mercados financeiros globais.
A confirmação foi feita pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, durante entrevista à Fox Business. Ela afirmou que a decisão foi tomada após o vencimento do prazo dado pelo presidente Donald Trump para que a China recuasse de suas ações retaliatórias.
Segundo o presidente, Pequim teve até as 13h desta terça-feira para desistir da tarifa de 34% imposta sobre produtos americanos no último dia 4. Como a China manteve sua posição e não respondeu ao apelo americano com diálogo, o governo decidiu seguir com o aumento prometido.
No início do mês, Trump já havia ampliado a carga tarifária sobre produtos chineses para 54%, após anunciar uma nova rodada de sanções contra 180 países. Com a nova elevação de 50 pontos percentuais, o total chega agora a 104%, tornando-se uma das ações comerciais mais agressivas já tomadas por Washington contra um parceiro de peso.
Impacto imediato nos mercados
O anúncio provocou reações quase instantâneas nas bolsas de valores. Nos Estados Unidos, os principais índices que começaram o dia em alta mudaram de direção após a confirmação da tarifa. O Dow Jones encerrou o pregão em queda de 1,7%, enquanto o S&P 500 recuou 2,5% e o Nasdaq caiu mais de 3%.
No Brasil, o impacto também foi sentido. O Ibovespa inverteu a tendência positiva do início da tarde e passou a operar no vermelho. O dólar, por sua vez, disparou novamente, sendo cotado acima dos R$ 6 no fim do dia. Investidores demonstram crescente aversão ao risco, temendo uma guerra comercial mais ampla.
Economistas alertam que os efeitos da medida podem ser duradouros. Larry Summers, ex-secretário do Tesouro americano, declarou que as políticas tarifárias impostas por Trump podem levar à perda de até dois milhões de empregos e reduzir a renda das famílias americanas em até US$ 5.000 anuais.
China promete reagir, e tensão deve aumentar
Pequim reagiu com firmeza à decisão americana. Em nota oficial, o Ministério do Comércio chinês classificou as novas tarifas como “unilaterais, injustas e contraproducentes” e prometeu adotar “todas as contramedidas legítimas” para proteger seus interesses.
O governo chinês não aceitará ser coagido. Estamos abertos ao diálogo, mas não sob ameaça, declarou o porta-voz da chancelaria em entrevista coletiva nesta manhã.
Fontes diplomáticas indicam que a China pode ampliar sua própria carga tarifária sobre produtos dos EUA e também buscar novas alianças comerciais com países da Ásia, Europa e América Latina para reduzir sua dependência dos norte-americanos.
A expectativa agora recai sobre uma possível reaproximação diplomática. Porém, com o tom cada vez mais confrontativo dos discursos de ambos os lados, especialistas acreditam que uma resolução pacífica a curto prazo é improvável.
Estamos diante de uma disputa de poder, e não apenas de números comerciais, disse o analista internacional Thomas Lindberg, da Brookings Institution.
Enquanto isso, consumidores e empresas de ambos os países começam a sentir os primeiros efeitos. Desde eletrônicos a peças industriais, centenas de produtos devem ficar mais caros nos próximos meses, pressionando inflação e cadeia de suprimentos global.