Ozempic, o remédio que ajudou Elon Musk a emagrecer, vira ‘ouro’ no mercado negro

Publicado em 07/04/25 às 09:15

O medicamento Ozempic, originalmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2, virou febre mundial como suposto “milagre” para emagrecer – e isso tem levantado sérios alertas entre autoridades de saúde e especialistas.

Tudo começou com uma declaração pública de Elon Musk, magnata da tecnologia, que atribuiu parte de sua recente perda de peso ao uso do remédio. Desde então, a procura disparou – e junto com ela, surgiram consequências preocupantes.

Com a popularização do uso estético do Ozempic, sua comercialização passou a ir muito além das farmácias. A escassez nas prateleiras abriu espaço para o surgimento de um mercado paralelo, onde o preço pode atingir até 15 vezes o valor original – que, em países como a Brasil, gira em torno de R$ 1000,00.

Segundo a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do produto, os lucros com o medicamento bateram recordes em 2023, ultrapassando os 5,3 bilhões de euros. No entanto, esse sucesso comercial trouxe também uma sombra: o uso indiscriminado por pessoas sem diagnóstico de diabetes ou qualquer orientação médica.

Como funciona o Ozempic

O princípio ativo do Ozempic é a semaglutida, uma substância que simula a ação do hormônio GLP-1, regulador do apetite e dos níveis de glicose no sangue. Isso ajuda pacientes com diabetes a controlar a fome e o peso corporal – efeito que passou a ser explorado por quem deseja emagrecer rapidamente.

Contudo, endocrinologistas alertam que o uso do remédio fora do contexto clínico pode trazer riscos. Entre os possíveis efeitos adversos estão náuseas, vômitos, problemas gastrointestinais e até complicações mais graves.

Influência digital e culto ao corpo magro

Celebridades e influenciadores têm contribuído para alimentar o culto à magreza rápida, exibindo transformações corporais atribuídas ao uso do Ozempic. A cultura da estética instantânea, aliada à desinformação, tem levado muitas pessoas a buscar o remédio de forma clandestina, ignorando os riscos à saúde.

Especialistas reforçam que o emagrecimento saudável depende de uma combinação de fatores, como alimentação balanceada e prática regular de atividades físicas. O uso de medicamentos, quando necessário, deve ser sempre supervisionado por um profissional de saúde.

O que dizem os especialistas

Médicos e entidades de saúde têm reforçado campanhas de conscientização sobre os riscos do uso indevido de medicamentos. Há também uma preocupação crescente com o impacto dessa “moda” no longo prazo, especialmente entre jovens e pessoas vulneráveis psicologicamente a padrões de beleza irreais.

Apesar de estudos promissores sobre o uso de análogos do GLP-1 para tratar a obesidade de forma controlada, especialistas defendem que o caminho deve ser baseado em evidências científicas, prescrição responsável e acesso justo à medicação.

O fenômeno Ozempic expõe o impacto das redes sociais e da cultura da estética na saúde pública. O uso indiscriminado de medicamentos, impulsionado por celebridades e modismos, precisa ser enfrentado com responsabilidade, educação em saúde e políticas que garantam acesso ético e seguro a tratamentos médicos.