Garra de dinossauro perfeitamente preservada é encontrada pela primeira vez na Mongólia

Publicado em 07/04/25 às 17:07

Uma equipe de paleontólogos fez uma descoberta impressionante no deserto de Gobi, na Mongólia: um fóssil de dinossauro com a primeira garra já encontrada completamente revestida por queratina — o mesmo material das unhas e chifres de animais modernos. O exemplar pertence a uma espécie recém-identificada, batizada de Duonychus tsogtbaatari, em homenagem ao paleontólogo mongol Khishigjav Tsogtbaatar.

O achado inclui não apenas a garra monumental, mas também partes significativas do esqueleto do animal, como vértebras, quadris, cauda, braços e pernas. A descoberta foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Paleontologia da Mongólia, em colaboração com cientistas internacionais, e os primeiros detalhes foram divulgados em um estudo recente na revista científica iScience.

Segundo os especialistas, o Duonychus tsogtbaatari era um dinossauro com cerca de 3 metros de altura e aproximadamente 260 quilos. Com sua garra longa e afiada de dois dedos, o animal lembra uma inusitada combinação entre uma preguiça e uma girafa, conforme descreveram os cientistas envolvidos na análise. A morfologia indica que ele provavelmente pertencia à família dos therizinosaurídeos, um grupo de terópodes que inclui o famoso Tiranossauro rex, embora com hábitos alimentares distintos.

Esta é, de longe, a maior garra de dinossauro já encontrada com o revestimento queratínico intacto, destacou Darla Zelenitsky, professora associada da Universidade de Calgary e coautora do estudo.

Reprodução artística do Duonychus tsogtbaatari

Ao contrário dos terópodes mais conhecidos por seu comportamento carnívoro, o Duonychus provavelmente era herbívoro ou onívoro. A principal função de suas enormes garras, segundo os cientistas, seria alcançar folhas em árvores altas, numa adaptação comparável ao comportamento de grandes herbívoros modernos. Ainda assim, elas também serviriam como um eficiente instrumento de defesa.

Eles não eram predadores, mas tinham grande capacidade de se proteger. As garras eram muito afiadas e certamente intimidantes, acrescentou Zelenitsky.

A descoberta representa um marco significativo na paleontologia moderna, tanto pela raridade do revestimento queratínico completo quanto pelo potencial de fornecer informações detalhadas sobre a evolução e o comportamento desses dinossauros. Os pesquisadores agora planejam análises mais profundas dos restos fósseis para entender melhor a ecologia, anatomia e hábitos desse curioso animal.