Mineração em águas profundas pode avançar com apoio dos EUA, apesar de preocupações ambientais
Por Sandro Felix
Publicado em 06/04/25 às 08:02
A mineração submarina em águas internacionais, até então proibida por desafios técnicos e falta de regulamentação global, pode estar prestes a dar um passo decisivo. A empresa canadense The Metals Company (TMC) está em estágio avançado para obter permissão do governo dos Estados Unidos para iniciar suas operações, com o apoio da administração do presidente Donald Trump – possivelmente antes do tempo ideal, segundo especialistas.
Desde 2011, a TMC vem estudando a viabilidade de extrair nódulos polimetálicos – depósitos minerais do tamanho de batatas que contêm níquel, cobre, cobalto e manganês – localizados soltos no leito marinho da Zona Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico.
A empresa afirma que os minerais contidos nesses nódulos são essenciais para a fabricação de baterias de veículos elétricos e para a transição energética rumo a fontes mais limpas. De acordo com a TMC, os recursos submarinos podem ser uma alternativa sustentável para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
O plano da empresa prevê o envio de navios de grande porte ao local, equipados com veículos coletores submersíveis capazes de operar entre 4 e 6 km de profundidade. Esses veículos recolheriam os nódulos soltos no fundo do mar e os transportariam até a superfície por meio de tubos com ar comprimido. Após a coleta, os minerais seriam enviados a instalações terrestres para processamento e separação dos metais.
Regulamentação ainda é incerta
O principal obstáculo enfrentado pela TMC é a ausência de regras claras da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês). Criada na década de 1980 sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a ISA é composta por mais de 160 países, mas os Estados Unidos nunca ratificaram o acordo, o que os impede de votar nas decisões do órgão.
Mesmo assim, a TMC anunciou recentemente que se reuniu com autoridades da Casa Branca e do Congresso norte-americano. A empresa também entrou com pedidos de licenças de exploração e extração junto ao Departamento de Comércio dos EUA.
Com o histórico do governo Trump de flexibilizar normas ambientais, especialistas acreditam que as autorizações podem ser concedidas em breve – o que poderá impactar significativamente o mercado global de minerais estratégicos e o futuro dos ecossistemas marinhos.
Preocupações ambientais crescem
Cientistas e ambientalistas estão em alerta. Eles argumentam que os impactos da mineração em águas profundas ainda não são totalmente compreendidos, podendo causar danos irreversíveis à biodiversidade marinha. Por isso, organizações como a Deep Sea Conservation Coalition pedem uma moratória global até que mais estudos sejam realizados.
A pressa pode custar caro ao oceano. Não temos informações suficientes sobre o impacto ecológico dessas atividades, alertam os especialistas.
A situação está sendo acompanhada de perto pela comunidade internacional e pode marcar um novo capítulo na corrida por recursos naturais – desta vez, no fundo do mar.