Tarifas de Trump causam abalo na economia global e ameaça indústria de games dos EUA
Por Sandro Felix
Publicado em 05/04/25 às 07:22
Em um discurso incendiário intitulado “Dia da Libertação”, feito em 2 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou o que especialistas estão chamando de uma “bomba nuclear metafórica” sobre a economia global. Entre os setores mais atingidos, a indústria de videogames norte-americana se destaca como uma das mais vulneráveis, segundo a Entertainment Software Association (ESA).
As novas tarifas anunciadas por Trump afetam diretamente a produção de hardware e software, prejudicando o desenvolvimento de jogos e encarecendo a fabricação de consoles. Aubrey Quinn, vice-presidente sênior da ESA, alertou que o impacto será sentido por toda a cadeia de produção. “Essas tarifas vão desorganizar profundamente o desenvolvimento de games, além da fabricação de equipamentos e softwares”, afirmou.
Consoles e jogos mais caros: consumidores pagarão a conta
A situação é especialmente grave para os consoles domésticos, cujos principais componentes são produzidos em países diretamente atingidos pelas novas medidas tarifárias. “Qualquer produto que o consumidor compre provavelmente será afetado por várias dessas tarifas, somadas umas às outras”, explicou Quinn.
Empresas como Apple e Nintendo já vinham tentando contornar o problema, transferindo suas linhas de produção da China para países como o Vietnã. No entanto, Trump também alcançou essas operações, ao decretar uma tarifa de 46% sobre importações vietnamitas. A decisão foi anunciada no mesmo 2 de abril, ampliando o alcance da política protecionista.
Como resultado, o novo console Switch 2, da Nintendo, poderá custar cerca de US$ 450 nos Estados Unidos — enquanto no Japão, que não é afetado pelas tarifas norte-americanas, o mesmo aparelho será vendido por apenas US$ 343. A alta de preços não se limitará ao hardware: os jogos também devem ficar mais caros, com a Nintendo já citando as tarifas como um dos motivos do reajuste.
A possibilidade de retaliação por parte de países afetados, incluindo membros da União Europeia, agrava ainda mais o cenário. “O chamado Dia da Libertação pode ser apenas o início de um caminho longo e incerto”, alertou a ESA.
Apesar dos desejos da administração Trump, trazer de volta toda a produção para solo norte-americano não é algo que possa ser feito de imediato — e talvez nem seja viável. “A cadeia de suprimentos é extremamente complexa, e cada empresa precisa considerar o que é melhor para seus consumidores, seus negócios e seus funcionários”, concluiu Quinn.
A ESA espera que todas as partes envolvidas encontrem uma solução equilibrada, que evite danos permanentes à indústria de jogos e ao bolso dos consumidores americanos.