Ibuprofeno pode ser aliado no controle da diabetes, aponta estudo inédito

Publicado em 05/04/25 às 08:10

Um estudo liderado pelo professor Paul Breslin, da Universidade de Rutgers (EUA), revelou que o ibuprofeno — conhecido por seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios — pode também afetar a forma como o corpo percebe e processa o açúcar. Os achados foram publicados no British Journal of Pharmacology e podem ter implicações significativas para o tratamento de doenças metabólicas como a diabetes tipo 2.

A pesquisa mostrou que o ibuprofeno, assim como outros anti-inflamatórios não esteroidais como o naproxeno, inibe os receptores responsáveis por detectar o sabor doce, tanto na boca quanto em células humanas. Esses receptores, além de sua função gustativa, estão diretamente envolvidos na regulação do metabolismo da glicose.

Durante os testes, voluntários que fizeram bochechos com soluções contendo ibuprofeno apresentaram menor sensibilidade ao sabor doce. Essa redução na percepção pode levar a uma diminuição do apetite por alimentos açucarados, favorecendo uma alimentação mais equilibrada e, consequentemente, melhor controle metabólico.

Além do impacto sensorial, os cientistas levantam a hipótese de que o uso contínuo de ibuprofeno poderia estar associado a um metabolismo mais eficiente e até à prevenção de doenças como Alzheimer, certos tipos de câncer e diabetes tipo 2. No entanto, os próprios autores alertam que essas possibilidades ainda estão em estágio inicial de investigação.

Uma velha molécula, novas possibilidades

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores destacam que os resultados ainda são preliminares. Novos estudos clínicos em larga escala serão necessários para confirmar se o ibuprofeno ou medicamentos similares podem, de fato, desempenhar um papel na prevenção de doenças metabólicas.

Atualmente, não há base científica suficiente para recomendar o uso prolongado de ibuprofeno com esse objetivo, especialmente considerando os possíveis efeitos colaterais associados ao seu uso crônico, como úlceras gástricas e danos renais.

A proposta não é simplesmente curar, mas compreender como podemos influenciar processos fundamentais do corpo humano por meio de algo tão comum quanto um analgésico, concluem os autores do estudo.

Essa descoberta representa um novo caminho promissor na pesquisa sobre tratamentos metabólicos e convida a comunidade científica a reavaliar o potencial terapêutico de medicamentos já conhecidos.