
Bloodborne comemora 10 anos reinando como o melhor jogo da FromSoftware
Por Sandro Felix
Publicado em 24/03/25 às 15:25
Discutir qual é o melhor jogo da FromSoftware nunca foi fácil. Com obras lendárias como Demon’s Souls, a trilogia Dark Souls, Sekiro: Shadows Die Twice e o colossal Elden Ring, escolher um favorito se torna uma missão altamente pessoal. Mas hoje, os holofotes estão voltados para um título específico: Bloodborne. Lançado há exatamente 10 anos no PlayStation 4, o jogo continua sendo, para muitos, o ponto mais alto do estúdio japonês.
Mesmo após uma década, fãs do mundo inteiro continuam pedindo por uma remasterização para PlayStation 5 e uma tão sonhada versão para PC. O motivo? Simples: Bloodborne é uma obra-prima atemporal, com uma ambientação singular, jogabilidade ousada e um universo que continua ecoando na cultura dos jogos modernos.
Yharnam, o pesadelo gótico que nos encantou
Um dos elementos mais marcantes de Bloodborne é sua ambientação. Ao invés do clássico cenário de fantasia medieval, Hidetaka Miyazaki, diretor criativo da FromSoftware, optou por mergulhar os jogadores em um universo de horror cósmico. Inspirado nos escritos de H.P. Lovecraft, o jogo se passa em Yharnam, uma cidade gótica e sombria infestada por criaturas monstruosas e segredos terríveis.
A arquitetura retorcida, a atmosfera opressiva e o enredo fragmentado, que exige curiosidade e exploração para ser compreendido, fizeram de Bloodborne algo único. Mesmo após tantos títulos inspirados nele, nenhum conseguiu capturar com tamanha fidelidade o sentimento de desespero, maravilhamento e fascínio que Yharnam provoca.
Os elogios não param por aí: a direção de arte é visualmente estonteante, o design dos inimigos é criativamente aterrador, e a trilha sonora eleva os momentos de tensão a um nível quase operístico. Poucos jogos conseguiram criar uma imersão tão visceral quanto esta obra-prima da FromSoftware.
Combate feroz e ensinamentos brutais
Se em Dark Souls a paciência e a defesa eram virtudes, Bloodborne nos ensinou a atacar primeiro. Sem escudos confiáveis e com inimigos mais rápidos e impiedosos, a estratégia aqui é ser agressivo, esquivar com precisão e contra-atacar de forma incessante. O jogo exige iniciativa: esperar demais pode significar morte certa.
Outro diferencial é o sistema de recuperação de vida, que incentiva o jogador a contra-atacar logo após sofrer dano. Além disso, o arsenal é repleto de armas transformáveis que mudam de forma e estilo de ataque em tempo real, adicionando uma camada de versatilidade e estratégia incomparável.
E claro, os chefes. Cada batalha é memorável, desafiadora e cheia de estilo. Enfrentamentos como os contra a Caçadora Ebrietas, o Padre Gascoigne e tantos outros marcaram uma geração inteira de jogadores — e ainda hoje são considerados alguns dos melhores combates já criados pela FromSoftware.
A cereja do bolo foi a expansão The Old Hunters, que adicionou novas áreas assustadoras, armas criativas, narrativa adicional e chefes icônicos como Ludwig e Lady Maria, elevando a experiência de Bloodborne a um novo patamar de excelência.
O futuro de Bloodborne: um sonho que ainda queremos viver
Apesar de seu status lendário, Bloodborne não está livre de críticas. As Masmorras Cálice, por exemplo, embora ambiciosas, acabaram sendo repetitivas e não agradaram a todos. O desempenho técnico do jogo também deixou a desejar na época de seu lançamento, com tempos de carregamento longos e stuttering frequente, prejudicando a fluidez da jogatina.
Hoje, jogar Bloodborne no PS5 via retrocompatibilidade é possível, mas muitos fãs acreditam que a obra merece um relançamento digno — com gráficos em 4K, 60 quadros por segundo e carregamentos quase instantâneos. Uma remasterização (ou remake) moderna traria não apenas um polimento visual, mas também uma oportunidade para novas gerações descobrirem por que Yharnam se tornou um lugar tão icônico no coração dos jogadores.
Enquanto esse sonho ainda não se realiza, celebramos uma década de um dos jogos mais ousados, imersivos e artisticamente marcantes da história recente dos videogames. Parabéns, Bloodborne. Que os ecos da caçada nunca se calem.
