Relatório revela que apenas 36 empresas respondem por metade das emissões globais de CO₂

Publicado em 09/03/25 às 06:35

Uma recente análise dos dados de emissões do banco de dados Carbon Majors revelou uma tendência preocupante: as emissões das maiores produtoras de petróleo, gás, carvão e cimento do mundo aumentaram em 2023 em relação ao ano anterior. Esse crescimento é especialmente alarmante diante das evidências científicas esmagadoras que relacionam a emissão de gases de efeito estufa ao aquecimento global catastrófico.

Os dados indicam que mais de 50% dessas emissões podem ser atribuídas a apenas 36 empresas altamente poluentes, com um papel significativo das estatais. Em 2023, 93 empresas listadas no banco de dados aumentaram suas emissões, incluindo 50 companhias de capital privado. O domínio das estatais sobre as emissões globais é evidente: 16 das 20 maiores empresas estatais emissoras foram responsáveis por 52% das emissões. Empresas chinesas se destacam nesse cenário, contribuindo com 23% do CO₂ global proveniente de combustíveis fósseis e cimento, mantendo a liderança já registrada no ano anterior.

Além disso, as emissões da indústria de cimento cresceram significativamente, com quatro das cinco empresas que mais aumentaram suas emissões pertencendo a esse setor: Holcim Group, Heidelberg Materials, UltraTech Cement e CRH. O crescimento nesse segmento levanta preocupações sobre a pegada de carbono do setor de construção civil e a necessidade urgente de tecnologias menos poluentes.

As maiores empresas poluentes em 2023

O levantamento aponta que as estatais continuam liderando as emissões globais de CO₂, com destaque para a Saudi Aramco (Arábia Saudita), Coal India (Índia), CHN Energy (China), NIOC (Irã) e Jinneng Group (China). Juntas, essas cinco empresas foram responsáveis por 17,4% das emissões globais de CO₂ no último ano.

Entre as companhias privadas, ExxonMobil (EUA), Chevron (EUA), Shell (Reino Unido), TotalEnergies (França) e BP (Reino Unido) lideram o ranking, sendo responsáveis por 4,9% das emissões globais.

Se a Saudi Aramco fosse um país, ela ocuparia o quarto lugar no ranking global de emissões. Já as emissões da ExxonMobil são comparáveis às da Alemanha, uma das maiores economias do mundo.

Impacto do banco de dados Carbon Majors na responsabilização climática

O Carbon Majors tem sido um instrumento fundamental para promover a responsabilidade climática. Seus dados foram utilizados como evidência em processos judiciais e ações regulatórias, como as leis do Climate Superfund em Vermont e Nova York, que buscam responsabilizar financeiramente as empresas poluidoras.

Além disso, o banco de dados tem sido referenciado em estudos que quantificam a contribuição das gigantes do setor de combustíveis fósseis para eventos climáticos extremos e no embasamento de possíveis acusações criminais contra executivos dessas empresas.

O desafio de reduzir emissões e evitar o colapso climático

O conjunto de dados do Carbon Majors, que cobre as emissões desde 1854 até 2023, revela que 67,5% das emissões industriais de CO₂ de origem humana desde a Revolução Industrial podem ser atribuídas a apenas 180 empresas produtoras, tanto estatais quanto privadas.

A Agência Internacional de Energia (IEA) reforça que qualquer novo projeto de combustíveis fósseis iniciado após 2021 é incompatível com a meta de zerar emissões líquidas até 2050. Essa meta é considerada cada vez mais urgente, uma vez que as emissões globais continuam em trajetória ascendente.

Para atingir o objetivo estabelecido no Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, as emissões globais precisariam ser reduzidas em 45% até 2030. No entanto, com a realidade atual de crescimento das emissões, especialistas alertam que o desafio de combater as mudanças climáticas continua enorme e urgente.