Oscar 2025 registra queda de audiência e reforça crise das premiações
Por Sandro Felix
Publicado em 04/03/25 às 16:11
A expectativa era alta para a 97ª edição do Oscar, com a possibilidade de ultrapassar a marca simbólica de 20 milhões de espectadores. Após três anos consecutivos de crescimento na audiência, o evento prometia um novo fôlego com a presença do comediante Conan O’Brien como mestre de cerimônias, trazendo um tom mais leve e dinâmico à premiação. No entanto, os números finais não corresponderam às projeções otimistas, confirmando que a era dourada do Oscar parece estar no passado.
De acordo com os dados da Nielsen, a cerimônia foi assistida por 18,1 milhões de espectadores nos Estados Unidos, através da emissora ABC e das plataformas de streaming da Disney, como Hulu e Disney+. O número representa uma queda de 7% em relação a 2024, quando 19,5 milhões de pessoas acompanharam o evento. Ainda que continue sendo o programa não esportivo mais assistido da temporada, a baixa audiência reforça a dificuldade da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em manter a relevância da premiação.
A edição de 2025 registrou a terceira pior audiência da história dos Oscar, ficando à frente apenas das cerimônias de 2021 (10,4 milhões de espectadores) e 2022 (16,6 milhões). Mesmo evitando uma queda mais drástica, a tendência de desinteresse se mantém, evidenciando que a fórmula atual já não cativa o público como antes. Nem mesmo a consagração do filme “Anora”, grande vencedor da noite, foi capaz de alavancar os números.
A crise não se restringe ao Oscar. Outras grandes premiações, como o Globo de Ouro e o Emmy, enfrentam desafios semelhantes. A fragmentação das audiências, a ascensão dos serviços de streaming e a mudança nos hábitos de consumo têm reduzido significativamente o apelo dessas cerimônias. Nem mesmo a tentativa de modernizar os formatos e trazer apresentadores carismáticos parece suficiente para recuperar a importância desses eventos.
Diante desse cenário, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas se vê pressionada a encontrar novas estratégias para reverter a situação. O cinema passa por uma grande transformação, e as premiações precisam acompanhar essa evolução para evitar a irrelevância definitiva. A grande questão é: o Oscar conseguirá se reinventar antes que seja tarde demais?