NASA reduz a zero o risco de colisão do asteroide 2024 YR4 com a Terra
Por Sandro Felix
Publicado em 24/02/25 às 17:07
A recente descoberta do asteroide 2024 YR4 causou preocupação entre os astrônomos e o público em geral. Inicialmente, a NASA calculou uma chance de 1 em 32 de impacto com a Terra em dezembro de 2032, a maior probabilidade já registrada para um objeto de tamanho perigoso. No entanto, novas observações reduziram esse risco a quase zero — pelo menos para o nosso planeta.
O asteroide foi detectado pela primeira vez no final de dezembro de 2024, quando passou a uma distância equivalente ao dobro da separação entre a Terra e a Lua. Estimativas indicam que seu tamanho varia entre 40 e 90 metros de largura, uma dimensão suficiente para causar danos significativos caso colidisse com uma área habitada.
Após a descoberta, cientistas do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), da NASA, calcularam sua trajetória futura. Embora o 2024 YR4 esteja atualmente se afastando do nosso planeta, ele fará uma nova passagem próxima em dezembro de 2028. No entanto, a verdadeira preocupação não foi esse encontro, mas sim a possível aproximação em 2032. As primeiras análises apontaram um risco de impacto superior a 1% para dezembro daquele ano, um valor alto o suficiente para que o alerta fosse enviado à Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN).
O alarme e a redução do risco de impacto
As novas observações intensificaram as preocupações. O Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra da Agência Espacial Europeia (ESA) estimou a chance de impacto em 2,8%, enquanto os cálculos do CNEOS chegaram a um pico de 3,1%. Esse índice tornou o 2024 YR4 o asteroide de maior risco já identificado para um objeto desse porte.
Contudo, em 19 de fevereiro, o céu escurecido pela Lua minguante permitiu que telescópios terrestres captassem novas imagens do asteroide. Com dados mais precisos, a NASA reduziu a probabilidade de impacto para 1,5%. Na noite seguinte, essa estimativa caiu ainda mais, atingindo apenas 0,28%. Surpreendentemente, a chance de colisão com a Lua agora é maior do que com a Terra, com um índice de 1%.
Mesmo que o perigo tenha praticamente desaparecido, os astrônomos continuarão monitorando o 2024 YR4 para refinar sua trajetória e prever melhor seus próximos encontros com o nosso planeta.
Como o risco de impacto é calculado?
O processo de análise de um asteroide recém-descoberto envolve o monitoramento de seu movimento para calcular sua trajetória futura. Inicialmente, a margem de erro é grande, mas conforme novas observações são feitas, os possíveis caminhos do objeto se tornam mais precisos. Se a Terra estiver dentro dessa área de possibilidade, o risco de impacto é considerado.
Na maioria das vezes, asteroides inicialmente preocupantes têm suas chances de colisão reduzidas a zero à medida que os cálculos são refinados. No entanto, há casos em que novas medições aumentam as chances de impacto, como ocorreu temporariamente com o 2024 YR4.
A Escala de Torino e o potencial de destruição
A NASA e outras agências não se baseiam apenas na porcentagem de impacto para avaliar a ameaça de um asteroide. A Escala de Torino classifica esses objetos considerando não só a probabilidade de colisão, mas também seu tamanho e potencial destrutivo.
Essa escala varia de 0 a 10:
- Objetos menores que 20 metros, mesmo com 100% de chance de impacto, recebem classificação 0, pois se desintegrariam na atmosfera.
- Já um objeto com índice 10 representa um impacto globalmente catastrófico.
Durante seu pico de risco, o asteroide 2024 YR4 atingiu o nível 3 na Escala de Torino — a segunda maior classificação já registrada para um asteroide. Isso se deu porque, apesar da baixa chance de colisão, sua energia de impacto poderia devastar uma área equivalente a uma cidade inteira. Por isso, o apelido de “destruidor de cidades”.
Mesmo em seu tamanho mais modesto, 2024 YR4 é pelo menos duas vezes maior que o meteoro de Chelyabinsk, que explodiu sobre a Rússia em 2013 e feriu quase 1.500 pessoas. Além disso, viaja a cerca de 17 km/s, o que aumentaria seu impacto ao gerar uma poderosa onda de choque atmosférica.
Para efeito de comparação, um asteroide precisaria ter pelo menos 1 km de largura para causar perturbações globais e cerca de 10 km para provocar uma extinção em massa, como o que dizimou os dinossauros. O maior asteroide já identificado com risco de impacto, Apophis, chegou a alcançar nível 4 na Escala de Torino, mas novas análises descartaram qualquer colisão nos próximos 100 anos.
Em 23 de fevereiro, após 60 dias de monitoramento contínuo, a NASA reduziu a classificação do 2024 YR4 na Escala de Torino para 0, descartando qualquer perigo iminente.
O futuro do 2024 YR4 e os planos para defesa planetária
Apesar da segurança garantida para os próximos anos, astrônomos continuarão estudando o 2024 YR4. Em março, o Telescópio Espacial James Webb analisará o asteroide para coletar mais dados sobre sua composição e trajetória. A passagem próxima de 2028 também será crucial para refinamentos futuros.
Mas e se um asteroide como o 2024 YR4 estivesse realmente em rota de colisão com a Terra? O que poderíamos fazer?
Em 2022, a NASA realizou a missão DART (Double Asteroid Redirection Test), na qual uma espaçonave foi propositalmente colidida contra um asteroide para alterar sua trajetória. O experimento foi um sucesso e provou que é possível desviar um corpo celeste com antecedência suficiente.
Caso fosse necessário, uma missão de defesa planetária poderia ser organizada para empurrar um asteroide perigoso para longe da Terra. Por isso, o monitoramento contínuo de objetos próximos à Terra (NEOs) é fundamental para garantir a segurança do nosso planeta.
Embora o 2024 YR4 tenha sido descartado como uma ameaça, sua descoberta reforça a importância dos programas de vigilância espacial. O estudo desses objetos permite que a humanidade esteja sempre um passo à frente na defesa contra possíveis impactos futuros.