Descoberta arqueológica pode mudar a história da Grande Muralha da China

Publicado em 18/02/25 às 16:37

Um grupo de arqueólogos fez uma descoberta surpreendente que pode redefinir a cronologia da construção da Grande Muralha da China. Na província de Shandong, no leste do país, foram identificadas ruínas que indicam que a construção dessa grandiosa fortificação começou pelo menos 300 anos antes do que se acreditava até agora. O achado não apenas oferece novas perspectivas sobre a evolução da defesa na China antiga, mas também reforça o papel fundamental do estado de Qi na concepção inicial da muralha.

As escavações, realizadas entre maio e dezembro de 2024, abrangeram uma área de 1.100 metros quadrados nas proximidades da vila de Guagli. Durante os trabalhos, os arqueólogos recuperaram diversos materiais históricos, incluindo fragmentos de cerâmica, ferramentas de pedra, restos ósseos de animais e até plantas carbonizadas.

A análise por carbono-14 desses artefatos permitiu datar com maior precisão a estrutura, sugerindo que sua construção teve início no período dos Reinos Combatentes (século VII-III a.C.), muito antes da unificação da China sob Qin Shi Huang. Esse trecho faz parte da Muralha de Qi, considerada o segmento mais antigo e extenso da muralha, com aproximadamente 641 quilômetros de extensão.

Um novo olhar sobre a história militar da China

O estudo revelou que a muralha servia não apenas como barreira defensiva, mas também como um sistema integrado de assentamentos fortificados. Duas estruturas residenciais do período Zhou foram encontradas próximas ao local, indicando que a população local utilizava a muralha como parte de sua estratégia de sobrevivência e organização social.

Além disso, a cerca de 1,5 quilômetro ao norte da escavação, os pesquisadores identificaram vestígios da antiga cidade de Pingyin, mencionada em registros históricos, mas cuja localização exata era até então desconhecida. A descoberta sugere que a região possuía uma administração centralizada e estratégica já naquela época, fortalecendo a teoria de que a defesa murada da China começou bem antes da era imperial.

A descoberta desafia a narrativa tradicional de que a Grande Muralha foi iniciada apenas na dinastia Qin (221-206 a.C.), quando Qin Shi Huang ordenou a unificação de várias fortificações pré-existentes. Em vez disso, os dados apontam que o conceito de uma muralha defensiva já era empregado séculos antes, especialmente em meio aos conflitos entre os estados de Qi, Yan e Zhao.

A evolução da Grande Muralha

Originalmente, a Grande Muralha não era uma única estrutura contínua, mas sim um conjunto de muros e fortificações construídos por diferentes estados chineses para se defenderem de invasões nômades e de exércitos rivais. Foi apenas com Qin Shi Huang que essas muralhas isoladas começaram a ser interligadas, formando uma das obras mais impressionantes da história da humanidade.

Atualmente, a Grande Muralha se estende por mais de 20.000 quilômetros, atravessando 15 províncias, incluindo Pequim, Hebei, Mongólia Interior, Gansu e Xinjiang. Desde 1987, ela é reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO e segue sendo objeto de pesquisas arqueológicas, que continuam a revelar segredos sobre sua construção e sua importância histórica.