
Javier Milei é acusado de fraude após promover criptomoeda que deixou milhares no prejuízo
Por Sandro Felix
Publicado em 17/02/25 às 16:11
O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta graves denúncias penais após a promoção da criptomoeda $Libra, que causou perdas milionárias para mais de 40.000 investidores. O caso levanta questionamentos sobre a responsabilidade de líderes políticos no mercado financeiro e reacende o debate sobre a necessidade de regulamentação mais rígida no setor de criptomoedas, conhecido por sua volatilidade extrema e alto risco de investimento.
Na última sexta-feira, Milei utilizou sua conta no Twitter para incentivar seus seguidores a investirem na criptomoeda $Libra, argumentando que o ativo digital poderia impulsionar o desenvolvimento econômico da Argentina e fortalecer a liberdade financeira dos cidadãos. Em questão de minutos, o valor da criptomoeda disparou de zero para US$ 4,7, alcançando uma capitalização de mercado de US$ 4,5 bilhões.
Entretanto, pouco tempo depois, os principais detentores da $Libra liquidaram cerca de US$ 90 milhões, provocando um colapso no preço do ativo e deixando milhares de pequenos investidores com perdas irreparáveis. Diante das acusações de manipulação de mercado e fraude, Milei alegou que sua conta havia sido hackeada, afastando-se de qualquer responsabilidade.
Acusação de esquema fraudulento e contradições no governo
A versão do presidente, no entanto, foi contestada por Hayden Mark Davis, um dos assessores envolvidos no lançamento de $Libra. Davis revelou que a campanha de divulgação da criptomoeda foi previamente acordada com o governo argentino e que Milei rompeu o compromisso ao apagar as postagens sem explicação, deixando os investidores à mercê do mercado.
Esse tipo de golpe, conhecido no mundo das criptomoedas como “rug pull”, já foi registrado em outros casos semelhantes, como na moeda digital $Trump, que também resultou em perdas massivas para investidores. Diante da gravidade da situação, líderes da oposição argentina solicitaram a abertura de um processo de impeachment contra Milei, acusando-o de explorar sua posição como chefe de Estado para inflacionar artificialmente o valor do ativo digital e lucrar com a queda subsequente.
Setor financeiro pede regulamentação urgente
A Câmara de Fintech da Argentina divulgou um comunicado enfatizando a importância de operar apenas em plataformas reconhecidas e regulamentadas, alertando sobre os riscos de investimentos sem garantias legais. Especialistas em finanças e tecnologia reforçam que o episódio evidencia a necessidade de maior supervisão governamental no setor de criptomoedas, que ainda opera em grande parte sem fiscalização e proteção ao consumidor.
Milei, por sua vez, sempre defendeu a não intervenção estatal no mercado financeiro, sustentando que a descentralização do setor impede fraudes e corrupção. No entanto, o escândalo atual coloca em xeque essa visão, levando a discussões sobre o papel do governo na proteção de investidores e na criação de diretrizes para o setor de ativos digitais.
Com o avanço das investigações, a Justiça argentina terá que determinar se houve intenção deliberada de fraude por parte do presidente e sua equipe. Caso seja comprovado o envolvimento direto de Milei na promoção da $Libra, este poderá ser um dos maiores escândalos financeiros da história recente da Argentina, com implicações políticas e econômicas de grande impacto.


