Pesquisadores desenvolvem asfalto regenerativo que repara rachaduras e impede a formação de buracos

Publicado em 07/02/25 às 16:04

Pesquisadores desenvolveram um novo tipo de asfalto capaz de reparar suas próprias rachaduras ao longo do tempo. Esse material inovador, inspirado nas habilidades regenerativas de árvores e certos animais, busca solucionar um dos maiores problemas das rodovias pelo mundo: os buracos. Estima-se que o custo com reparos de pavimentação atinja bilhões de dólares anualmente, além de gerar frustração e risco para motoristas.

Os mecanismos exatos da formação de rachaduras no asfalto ainda não são totalmente compreendidos, mas sabe-se que frequentemente resultam do endurecimento do betume devido à oxidação. Para enfrentar esse problema, cientistas do King’s College London e da Swansea University, em colaboração com pesquisadores do Chile, trabalharam em maneiras de reverter esse processo e efetivamente “costurar” o asfalto de volta à sua forma original.

Trabalhadores aplicando asfalto / Imagem: Reprodução

Inteligência artificial e ciência dos materiais na criação do asfalto inteligente

A inovação fundamental desse novo material está na combinação de microcápsulas naturais e rejuvenescedores derivados de resíduos, permitindo a regeneração do asfalto em tempo recorde. Testes laboratoriais demonstraram que rachaduras microscópicas podem ser reparadas em menos de uma hora.

O segredo da tecnologia está em microcápsulas contendo esporos vegetais preenchidos com óleos reciclados. Essas estruturas, menores que um fio de cabelo, rompem-se quando rachaduras começam a se formar. Com o tráfego sobre a superfície da estrada, os esporos liberam o óleo, amolecendo o betume e permitindo que ele se recombine, fechando a fissura de maneira natural e contínua.

Para aprimorar o desenvolvimento do material, os cientistas usaram inteligência artificial, aproveitando os recursos do Google Cloud AI. Algoritmos de aprendizado de máquina analisaram as propriedades orgânicas do betume para entender sua estrutura molecular e otimizar os processos de regeneração. Esse método permitiu a criação de modelos virtuais, acelerando a descoberta de novos compostos com capacidade de autorreparo.

Porção de asfalto regenerativo feito em laboratório / Imagem: Reprodução

Um passo rumo à infraestrutura sustentável

Atualmente, a produção de asfalto no mundo todo ultrapassa 120 milhões de toneladas por ano, e a indústria vem adotando práticas mais sustentáveis, como a incorporação de materiais reciclados. No entanto, o surgimento de rachaduras e buracos continua sendo um desafio complexo, agravado por fatores como tráfego intenso, variações de temperatura, infiltração de umidade e qualidade da construção.

O novo asfalto autorregenerativo ainda está em fase de desenvolvimento, mas especialistas acreditam que essa tecnologia pode transformar a infraestrutura viária globalmente, aumentando a durabilidade das rodovias e reduzindo custos de manutenção. Se bem-sucedida, a inovação poderá revolucionar a maneira como as estradas são projetadas e mantidas, promovendo maior segurança e sustentabilidade no transporte terrestre.