Estudo inédito revela que o exercício físico é a “intervenção médica mais potente já conhecida”
Por Sandro Felix
Publicado em 10/01/25 às 16:08
Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford revelou que o exercício físico pode ser a intervenção médica mais poderosa já registrada. De acordo com o professor de medicina cardiovascular e genética da instituição, Dr. Euan Ashley, os benefícios do exercício vão muito além do que se sabia até agora, impactando profundamente o corpo humano em nível molecular.
A pesquisa, conhecida como MoTrPAC (Molecular Transducers of Physical Activity Consortium), envolve dezenas de grupos de pesquisa nos Estados Unidos e busca mapear os efeitos do exercício em diversos órgãos do corpo, proporcionando uma visão detalhada de como a atividade física contribui para a saúde de maneira geral.
O Dr. Ashley explicou que a ciência já reconhece há mais de 70 anos que o exercício é uma intervenção potente para a prevenção de doenças. No entanto, o novo estudo vai além das observações anteriores e demonstra mudanças moleculares significativas em vários órgãos após a prática de exercícios.
Em uma das experiências conduzidas pelos pesquisadores, ratos foram submetidos a um programa de treinamento aeróbico em esteira durante oito semanas. Os resultados foram surpreendentes: “Cada tecido que analisamos mostrou mudanças positivas em sua composição molecular”, disse o professor. Isso indica que o exercício não só fortalece o coração e os músculos esqueléticos, como também melhora a função de órgãos como rins, glândulas adrenais, intestinos e até o cérebro.
Outro ponto revelador da pesquisa é que os efeitos do exercício podem reverter alterações moleculares relacionadas a diversas doenças. Segundo Dr. Ashley, os pesquisadores observaram que as mudanças moleculares causadas pela atividade física frequentemente são inversas às mudanças causadas por doenças. Essa descoberta reforça a hipótese de que o exercício não só previne, mas também pode combater o progresso de doenças crônicas.
Além disso, o estudo identificou que o exercício ativa o chamado “sistema de resposta ao choque térmico” em múltiplos tecidos. Esse sistema ajuda as células a manter a estrutura adequada de suas proteínas, prevenindo danos celulares e o surgimento de doenças degenerativas.
Quando questionado sobre o que essa pesquisa significa para o público em geral, o Dr. Ashley enfatizou que qualquer movimento é melhor do que nenhum. “Para quem tem empregos sedentários, levantar-se e caminhar durante o almoço já traz benefícios à saúde”, explicou.
Ele recomenda que os adultos busquem praticar entre 30 e 45 minutos de exercícios moderados, como caminhada rápida, de cinco a seis vezes por semana. Essa rotina pode reduzir o risco de doenças cardíacas, cânceres e melhorar o humor, o sono e a função respiratória.
O Dr. Ashley compartilhou uma estatística que frequentemente utiliza em suas consultas:
Um minuto de exercício pode adicionar cinco minutos à sua vida. Se a intensidade for maior, esse número pode subir para sete ou oito minutos de vida extra.
Ele também tranquiliza os pacientes dizendo que não há uma hora exata para se exercitar – seja de manhã, à tarde ou à noite, o importante é se movimentar. Após as refeições, em especial, a prática de exercícios pode ser ainda mais benéfica para o organismo.
Este estudo reforça o que muitos já sabem, mas talvez ainda subestimem: o exercício físico é um dos melhores investimentos que podemos fazer em nossa saúde. Em vez de medicamentos caros ou tratamentos complexos, o movimento do corpo, feito de forma regular e moderada, pode ser a chave para uma vida mais longa e saudável.