Pesquisadores rastreiam origem da peste negra em múmias do Egito Antigo
Por Sandro Felix
Publicado em 31/12/24 às 16:05
Pesquisadores anunciaram uma descoberta surpreendente que altera a linha do tempo conhecida da peste bubônica, também chamada de Peste Negra. Vestígios da bactéria Yersinia pestis, causadora da doença, foram encontrados em tecidos ósseos e intestinais de uma múmia egípcia que data do período entre 3300 a.C. e 1200 a.C., a chamada Idade do Bronze. O estudo, publicado recentemente, descreve esse achado como “o primeiro genoma pré-histórico de Yersinia pestis descoberto fora da Eurásia”, redefinindo a compreensão científica sobre a origem e a disseminação dessa devastadora pandemia.
De acordo com os especialistas envolvidos, essa descoberta coloca o norte da África, especificamente a região do vale do rio Nilo, como um possível ponto de origem para o surto que, séculos depois, dizimaria entre 30% e 60% da população europeia no século XIV. O novo estudo sugere que as pulgas infestadas, transportadas por ratos que habitavam áreas próximas ao rio, podem ter sido o principal vetor da propagação inicial.
Um marco para a arqueologia e a microbiologia
A identificação de Yersinia pestis em uma múmia do Egito Antigo é um marco científico, já que, até então, as evidências genéticas da bactéria estavam limitadas a amostras encontradas na Eurásia. “Este achado oferece novas perspectivas sobre a evolução e a circulação inicial da peste, ampliando significativamente nosso entendimento sobre pandemias antigas”, afirmaram os autores do estudo.
Embora ainda não seja possível determinar o impacto geográfico completo da peste bubônica no Egito e arredores, os especialistas enfatizam que a presença da bactéria em períodos tão remotos evidencia que a pandemia começou muito antes do que se acreditava. “Isso nos leva a reconsiderar as narrativas tradicionais sobre a origem e a disseminação da peste negra”, acrescentaram.
A descoberta também abre novas possibilidades para a pesquisa científica. Com a suspeita de que mais múmias possam conter vestígios de Yersinia pestis, o Egito Antigo se torna um foco promissor para estudos sobre pandemias históricas. O impacto desse achado pode ir além da arqueologia e da microbiologia, lançando luz sobre as condições de saúde, os padrões de vida e as interações ecológicas em civilizações antigas.
Espera-se que nos próximos meses outras análises sejam realizadas em restos humanos preservados da mesma época. Isso pode revelar não apenas a extensão do impacto da peste bubônica no Egito, mas também fornecer informações valiosas sobre as dinâmicas de doenças transmissíveis em sociedades pré-históricas.