A cada 100 anos, estrelas como o Sol liberam energia equivalente a trilhões de bombas nucleares
Por Sandro Felix
Publicado em 15/12/24 às 06:53
Pesquisadores do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar (MPS), na Alemanha, revelaram que estrelas semelhantes ao Sol produzem supererupções solares gigantescas aproximadamente uma vez a cada 100 anos. Esses eventos liberam uma quantidade de energia equivalente à explosão de um trilhão de bombas de hidrogênio. A descoberta levanta a questão: estaria o nosso Sol atrasado para um fenômeno tão extremo?
A pesquisa, publicada na renomada revista Science, analisou dados do telescópio espacial Kepler, da NASA, para observar as variações no brilho de 56.450 estrelas semelhantes ao Sol. Essas flutuações na luminosidade são indícios claros de intensas supererupções — eventos colossais caracterizados por explosões de radiação e energia, desencadeadas pela liberação repentina de energia magnética acumulada na atmosfera da estrela.
Supererupções são mais comuns do que se pensava
Os cientistas identificaram 2.889 supererupções em 2.527 estrelas observadas, indicando que essas explosões são até 100 vezes mais frequentes do que se imaginava. “Ficamos muito surpresos ao descobrir que estrelas como o Sol são tão propensas a essas supererupções frequentes”, afirmou Dr. Valeriy Vasilyev, principal autor do estudo.
Esses eventos, chamados de supererupções, são extremamente mais poderosos do que as erupções comuns. Para se ter uma ideia, a energia de uma supererupção pode superar em cem vezes a do famoso Evento Carrington, registrado em 1859, o maior evento geomagnético da história.
E o Sol? Ele pode ter uma supererupção?
As estrelas analisadas possuem temperatura e luminosidade similares às do Sol, sugerindo comportamentos igualmente semelhantes. “Embora não possamos observar o Sol ao longo de milhares de anos, podemos monitorar estrelas parecidas com ele durante períodos mais curtos. Isso nos ajuda a estimar com que frequência supererupções podem ocorrer no nosso Sol”, explicou o Professor Dr. Sami Solanki, coautor do estudo e diretor do MPS.
Nos últimos 100 anos, o Sol não produziu nenhuma supererupção. No entanto, os cientistas alertam que, caso isso ocorra, os efeitos seriam catastróficos. Redes elétricas entrariam em colapso, comunicações de rádio seriam gravemente afetadas e satélites poderiam ser destruídos, prejudicando sistemas de navegação como o GPS.
Em comparação, o Evento Carrington de 1859, que causou incêndios em telégrafos e fez auroras brilharem até em regiões tropicais como Cuba e Havaí, foi gerado por uma erupção cuja energia era apenas um centésimo da de uma supererupção.
Um lembrete do poder do Sol
Os pesquisadores destacam que essas explosões extremas são uma parte natural do comportamento do Sol. “Os novos dados são um lembrete contundente de que mesmo os eventos solares mais extremos estão dentro do repertório natural do nosso Sol”, afirmou a Dra. Natalie Krivova, coautora do estudo.
Embora ainda não seja possível prever quando o próximo grande evento ocorrerá, a pesquisa serve como um alerta para a vulnerabilidade da civilização moderna diante de fenômenos solares extremos.