Novo relatório revela que os jogadores hoje em dia passam mais tempo assistindo gameplay do que jogando

Publicado em 03/12/24 às 16:08

Os videogames evoluíram de uma atividade considerada infantil ou de nicho para se tornarem a indústria de entretenimento mais lucrativa do planeta. O setor, que gerou cerca de US$ 196 bilhões em 2023, superou as receitas combinadas de plataformas de streaming e bilheterias de cinema. Com previsão de crescimento de 6% em 2024, os jogos eletrônicos podem alcançar a marca de US$ 250 bilhões até 2028.

Essa transformação também mudou os hábitos dos jogadores. Uma nova pesquisa da Midia Research revelou que as pessoas gastam mais tempo assistindo a vídeos relacionados a jogos do que jogando. Em média, jogadores dedicam 8,5 horas por semana consumindo conteúdo sobre videogames, enquanto passam 7,4 horas jogando. Essa tendência é global e foi identificada em países como Brasil, EUA, Reino Unido, Alemanha, Coreia do Sul e Austrália.

Lucro gerado pelo mercado de videogames até 2028 / Imagem: Reprodução

A popularidade de plataformas como YouTube e Twitch desempenha um papel crucial nessa mudança. Todos os anos, centenas de bilhões de horas de vídeos de jogos são assistidas, e esse número continua crescendo. A ascensão dos eSports também contribui para isso. Em 2024, o campeonato mundial de League of Legends, por exemplo, atingiu 6,4 milhões de espectadores simultâneos, tornando-se o evento de eSports mais assistido da história.

Para desenvolvedores e publicadores, esse cenário representa uma oportunidade inexplorada. Segundo o relatório, 24% dos jogadores de console e PC e quase metade dos compradores de itens in-game assistem regularmente a conteúdos relacionados a jogos. Esses consumidores, considerados de alto poder aquisitivo, são um público estratégico para novos modelos de monetização.

Especialistas sugerem que as empresas desenvolvam plataformas próprias de vídeo para competir com gigantes como YouTube e Twitch. Outra alternativa seria integrar conteúdos de vídeo diretamente nos jogos ou nas bibliotecas digitais, criando uma experiência mais imersiva e personalizada para os usuários. Imagine, por exemplo, assistir a tutoriais ou transmissões de eSports diretamente de dentro do menu de um jogo, ou até mesmo receber sugestões de vídeos relevantes enquanto explora as opções de um catálogo digital. Essa abordagem não apenas aumenta o engajamento do jogador, mas também fortalece o ecossistema da marca, reduzindo a dependência de plataformas de terceiros.

Além disso, essas iniciativas poderiam abrir novas oportunidades de monetização, como assinaturas exclusivas para acesso a conteúdos premium, publicidade direcionada ou a venda de itens digitais dentro desses ambientes. Para os desenvolvedores, isso representa um potencial inexplorado para transformar espectadores em consumidores ativos, criando um ciclo virtuoso onde o consumo de conteúdo alimenta o interesse pelo jogo e vice-versa.