Bolsões de calor extremo se tornam mais frequentes e alarmam cientistas pela intensidade

Publicado em 01/12/24 às 06:40

Um estudo publicado recentemente no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelou um fenômeno alarmante: “bolsões quentes” têm surgido em diversas regiões do planeta com intensidade e frequência inéditas. Essas áreas, caracterizadas por ondas de calor extremo, têm causado impactos devastadores, incluindo milhares de mortes, destruição de colheitas, incêndios florestais de grandes proporções e danos severos à infraestrutura.

Pesquisadores analisaram 65 anos de dados climáticos e identificaram padrões de calor extremo que se intensificam muito mais rápido do que o aumento médio das temperaturas globais. Um exemplo notável foi a onda de calor de 2021 no noroeste dos Estados Unidos e sudoeste do Canadá. Este evento quebrou recordes diários de temperatura em até 30°C, destruindo comunidades como Lytton, na Colúmbia Britânica, onde os termômetros registraram 49,6°C antes de a cidade ser devastada por incêndios.

Kai Kornhuber, pesquisador da Universidade de Columbia, descreveu essas áreas como “estufas temporárias”. Segundo ele, esses bolsões quentes surgem devido a fatores como mudanças no jato de ar polar e o ressecamento da vegetação, criando condições que agravam o calor extremo.

Mapa mostrando os bolsões de calor pelo mundo / Imagem: Adaptada de Kornhuber et al., PNAS 2024, via EurekAlert

Impactos Globais e Regiões Mais Afetadas

O estudo apontou que esses eventos atingem todos os continentes, exceto a Antártida. Europa Ocidental, China Central, Japão e partes da África estão entre as regiões mais afetadas. Na Europa, ondas de calor entre 2022 e 2023 foram responsáveis por mais de 100 mil mortes, destacando a vulnerabilidade de países como Alemanha e França, onde a infraestrutura é inadequada para suportar temperaturas tão altas.

Nos Estados Unidos, um dos países mais preparados para eventos climáticos extremos, o calor já mata mais pessoas do que furacões, tornados e enchentes juntos. “A incapacidade de prever com precisão esses extremos regionais levanta questões sobre os modelos climáticos atuais”, destaca o estudo.

A Urgência da Adaptação Climática

Os cientistas alertam que o mundo ainda não está preparado para enfrentar as ondas de calor extremo. Kornhuber enfatizou que os impactos sobre saúde, agricultura e infraestrutura são severos e podem ser exacerbados no futuro.

Não estamos prontos para lidar com essas ondas de calor, e talvez a adaptação necessária não consiga acompanhar sua intensidade, disse ele.

Com a intensificação das mudanças climáticas, a necessidade de desenvolver estratégias eficazes para mitigar e se adaptar a esses fenômenos nunca foi tão urgente. O estudo é um chamado para ação global, ressaltando que o tempo para agir está se esgotando dia após dia.