Vulcanismo na face oculta da Lua durou mais de 1,4 Bilhão de anos, revelam novos estudos
Por Sandro Felix
Publicado em 17/11/24 às 06:43
Cientistas descobriram que a atividade vulcânica na Lua durou muito mais tempo do que se imaginava, especialmente na sua misteriosa face oculta. Graças às amostras coletadas pela sonda chinesa Chang’e-6, pesquisadores estimaram que esse período vulcânico se estendeu por pelo menos 1,4 bilhão de anos.
A Chang’e-6 é a única espaçonave a trazer materiais diretamente da face oculta da Lua para a Terra. Apesar de retornar com apenas dois quilos de material lunar, as amostras estão fornecendo informações valiosas sobre a geologia e a história vulcânica do lado que não podemos observar da Terra.
Entre os fragmentos analisados, um deles foi datado em 4,2 bilhões de anos, tornando-se o basalto mais antigo da Lua com idade precisamente medida até hoje. Contudo, não foi a única descoberta impressionante.
Os cientistas também identificaram 107 fragmentos de basalto datados em “apenas” 2,8 bilhões de anos. Estes fragmentos são de origem local e apontam para uma erupção vulcânica que ocorreu na região de pouso da Chang’e-6. Curiosamente, não há vestígios desse evento em amostras coletadas na face visível da Lua, o que reforça a importância desse achado. A sonda já havia detectado anteriormente evidências de estruturas magmáticas no local.
A face oculta e sua geologia única
A face oculta da Lua apresenta características geológicas muito diferentes da face visível. Enquanto a face que observamos da Terra é marcada por vastas planícies escuras de basalto, conhecidas como maria (ou mares), a face oculta é repleta de crateras.
Outro contraste notável é a espessura da crosta entre os dois hemisférios, bem como a concentração de elementos químicos como o tório. Por que existe essa dicotomia ainda é um mistério, mas os dois estudos que analisaram os resultados da Chang’e-6 apontam que a resposta pode estar no entendimento do vulcanismo na face oculta.
Cronologia dos eventos vulcânicos
O evento vulcânico de 2,8 bilhões de anos está alinhado com a idade estimada do local de pouso da Chang’e-6, determinada por meio de contagem estatística de crateras. Essa técnica, desenvolvida para a face visível, mostrou-se eficaz também na face oculta, um resultado animador para os cientistas.
Outro aspecto intrigante é que, quando o vulcanismo na face oculta cessou, a Lua já estava provavelmente em uma posição onde sempre mantinha a mesma face voltada para a Terra, fenômeno conhecido como rotação síncrona.
Os resultados dos estudos foram publicados nas revistas Science e Nature, dois dos periódicos científicos mais respeitados do mundo.