
Atores de “Mad Max: Estrada da Fúria” revelam que gravar o filme na Namíbia foi extremamente perigoso
Por Sandro Felix
Publicado em 13/11/24 às 15:45
Swakopmund, uma pequena e pacata cidade costeira da Namíbia com pouco mais de 75 mil habitantes, ganhou destaque mundial ao se tornar o cenário do filme “Mad Max: Estrada da Fúria”. Dirigido por George Miller, essa quarta parte da icônica franquia de ação trouxe o elenco e a equipe de produção aos desertos vastos e áridos da Namíbia, que ajudaram a construir a atmosfera apocalíptica que tornou o filme um sucesso. No entanto, o que parecia ser o local perfeito para dar vida ao mundo pós-apocalíptico do filme, revelou-se um verdadeiro desafio para todos os envolvidos na produção.
Desde a chegada dos atores, figurantes e equipe técnica, Swakopmund se viu drasticamente transformada. A presença dos “Garotos de Guerra”, figurantes com a estética pálida e intimidadora dos seguidores de Immortan Joe, rapidamente chamou a atenção dos jovens locais. Inspirados pelos visitantes, alguns jovens começaram a imitar o visual marcante dos personagens do filme, pintando seus rostos de branco e circulando pela cidade como se fizessem parte do universo de Mad Max. Segundo o livro “Sangue, Suor e Cromo” de Kyle Buchanan, a empolgação foi tamanha que muitos adolescentes locais começaram a faltar às aulas na tentativa de invadir o set de filmagem. Esse entusiasmo excessivo acabou gerando um ambiente caótico que afetou tanto a produção quanto a rotina de Swakopmund.
A segurança se tornou um problema constante para a equipe do filme. Scotty Gregory, um dos dublês envolvidos, relatou que andar pelas ruas à noite exigia cuidados extras, como carregar spray de pimenta e até facas. Em uma ocasião, Gregory foi assaltado em um bar local e precisou da ajuda do ator Nathan Jones, que interpretava Rictus no filme. Com sua altura de mais de dois metros e físico impressionante, Jones conseguiu intimidar os assaltantes e recuperar os pertences de Gregory.
Experiências difíceis para as mulheres da produção
As mulheres da equipe, em particular, enfrentaram situações de vulnerabilidade ainda mais acentuadas. Dayna Grant, dublê de Charlize Theron, que interpretava Furiosa, relatou que sua cabeça raspada a fez ser constantemente confundida com a atriz principal, o que resultou em episódios frequentes de assédio nas ruas. Para aliviar a situação, a produção optou por providenciar uma peruca para Grant, o que ajudou a reduzir o assédio. Em busca de maior proteção, muitas mulheres da equipe decidiram dividir acomodações e criar um sistema de segurança coletivo para evitar as frequentes tentativas de invasão em suas residências.

A questão da segurança em Swakopmund tornou-se tão crítica que as mulheres foram orientadas a evitar sair sozinhas à noite. Kelly Marcel, uma das roteiristas, descreveu as restrições impostas: “Se você fosse mulher, não era seguro estar fora de casa após as seis da tarde. Se saíssemos para jantar, precisávamos ir em grupo ou acompanhadas por homens.” Mesmo membros da equipe com porte físico impressionante, como Adam Kulper, que tem 1,90 metros e pesa mais de 100 quilos, relataram momentos de tensão e insegurança. A situação tornou-se tão tensa que o próprio grupo começou a organizar patrulhas improvisadas para garantir que todos voltassem em segurança após visitar os bares locais, conhecidos como “shebeens”.
Uma jornada inesquecível
Apesar dos desafios, o ambiente árido e brutal de Swakopmund cumpriu seu papel ao dar vida ao visual apocalíptico de “Mad Max: Estrada da Fúria”. Para muitos, a experiência de filmar em um local tão exótico e inóspito tornou-se uma aventura inesquecível, com momentos de superação pessoal e profissional. O resultado pode ser conferido nas telas, onde o deserto da Namíbia e sua hostilidade se transformam em um cenário icônico, fundamental para a construção da narrativa de um dos maiores filmes de ação de todos os tempos.

