Astrônomos descobrem um buraco negro supermassivo que está ‘matando’ uma galáxia do tamanho da Via Láctea

Publicado em 16/09/24 às 16:14

Cientistas fizeram uma descoberta surpreendente ao observar a galáxia GS-10578, localizada no universo primordial, com o auxílio do poderoso Telescópio Espacial James Webb (JWST). A pesquisa, que acaba de ser divulgada, confirmou uma teoria de longa data: buracos negros supermassivos são capazes de interromper o processo de formação de novas estrelas em suas galáxias anfitriãs. Esse fenômeno, que antes era difícil de ser registrado com precisão, foi observado claramente pela primeira vez, lançando luz sobre a influência dos buracos negros na evolução das galáxias.

Desde que parou de produzir novas estrelas, a galáxia GS-10578 está essencialmente ‘morta’ — Foto: Francesco D’Eugenio/James Webb

A galáxia GS-10578, que já foi um local vibrante de formação estelar no início do universo, agora está praticamente “morta”. No centro dessa galáxia encontra-se um buraco negro supermassivo que está expelindo uma quantidade colossal de matéria que está gerando “ventos” tão poderosos que estão expulsando o gás a impressionantes 1.000 km/s, impossibilitando que a galáxia forme novas estrelas.

Esse comportamento é um exemplo direto de como a atividade dos buracos negros pode “esgotar” o combustível de uma galáxia, impedindo o nascimento de estrelas e mantendo a galáxia em um estado de inatividade.

Esta observação é a evidência mais clara de que os buracos negros podem controlar diretamente a evolução de suas galáxias, disse um dos cientistas envolvidos no estudo.

Uma galáxia morta, mas organizada

Um dos aspectos mais intrigantes dessa descoberta é que, apesar da ausência de formação de novas estrelas, a estrutura da galáxia GS-10578 continua relativamente ordenada. As estrelas que já existiam antes do buraco negro interromper o processo estelar ainda se movem de forma organizada dentro da galáxia. Isso contradiz modelos anteriores que previam que galáxias sem formação estelar passariam por um colapso caótico.

Esse achado é especialmente interessante, pois GS-10578 está localizada em uma época em que o universo era caracterizado por intensa atividade de formação de estrelas. “Mesmo com um buraco negro gigantesco em seu centro, a galáxia permanece estruturalmente estável”, comentam os pesquisadores, sugerindo que o fim da formação de estrelas nem sempre causa uma desordem imediata na galáxia.

O futuro das observações: É possível reverter o processo?

Com a descoberta da GS-10578, os cientistas agora enfrentam uma nova série de perguntas sobre o futuro dessas galáxias. Uma das maiores incógnitas é se o processo de extinção estelar pode ser reversível. Existe algum combustível escondido na galáxia que poderia, eventualmente, reativar a formação de estrelas?

Para buscar respostas, futuras observações serão feitas utilizando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que tentará identificar se ainda há reservas de gás que possam reativar o processo estelar. A compreensão desses mecanismos pode fornecer pistas valiosas sobre a evolução das galáxias ao longo do tempo.