Cientistas buscam sinais de civilizações extraterrestres avançadas em galáxias distantes

Publicado em 01/09/24 às 06:44

Pesquisadores do Instituto de Busca por Inteligência Extraterrestre (SETI) estão ampliando os limites da ciência na busca por sinais de vida inteligente fora da Via Láctea. Usando um poderoso conjunto de radiotelescópios terrestres, eles estão à procura de “tecnoassinaturas” em galáxias distantes, na esperança de encontrar evidências de civilizações alienígenas avançadas.

A radioastrônoma Chenoa Tremblay, do SETI, e o astrofísico Steven Tingay, do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia, publicaram recentemente um estudo detalhando seus esforços para detectar essas possíveis assinaturas tecnológicas vindas de outras partes do cosmos.

Tradicionalmente, projetos como o SETI focam suas pesquisas em alvos dentro da Via Láctea, onde a probabilidade de captar sinais de rádio de uma civilização alienígena é maior. Isso ocorre porque as ondas de rádio emitidas por galáxias externas são tão fracas que se misturam ao ruído de fundo cósmico, tornando difícil distinguir qualquer comunicação baseada em rádio.

Nós procuramos por tecnoassinaturas, características espectrais e temporais que sejam consistentes com nossa compreensão de tecnologia, explicaram os pesquisadores.

No estudo, Tremblay e Tingay direcionaram o Murchison Widefield Array, um radiotelescópio de baixa frequência, para o remanescente da supernova Vela, visando mais de 1300 galáxias “estrangeiras”. Segundo Tremblay, uma civilização avançada poderia manipular sua vizinhança galáctica em grande escala, e esses efeitos poderiam gerar radiações eletromagnéticas detectáveis aqui na Terra.

Os pesquisadores concentraram-se na busca por “megaestruturas” ou outros sinais de dispositivos artificiais capazes de aproveitar a energia de uma estrela inteira ou até mesmo conectar várias estrelas. Eles citaram a famosa Escala de Kardashev, proposta pelo astrofísico Nikolai Kardashev em 1964, que classifica civilizações alienígenas com base na sua capacidade de manipular e explorar fontes de energia.

De acordo com essa escala, uma civilização de Tipo I teria acesso a toda a energia disponível em seu planeta natal. Uma civilização de Tipo II seria capaz de consumir a energia de uma estrela inteira. Já uma civilização de Tipo III poderia capturar a energia emitida por uma galáxia inteira, incluindo estrelas, buracos negros e outros fenômenos espaciais ricos em energia. Há ainda a hipótese de uma civilização de Tipo IV, que não foi incluída na teoria original, e que poderia utilizar uma quantidade de energia comparável ao poder de todo o universo.

Uma civilização de Tipo II seria capaz de consumir a energia de uma estrela inteira / Imagem: Reprodução

O foco dos pesquisadores estava nas civilizações de Tipo II e Tipo III, já que elas provavelmente emitiriam radiações eletromagnéticas fortes o suficiente para serem detectadas pelos telescópios terrestres. Este estudo é a primeira busca por tecnoassinaturas extragalácticas em baixa frequência já realizada. Até o momento, não foram encontradas evidências, o que era esperado, dado o desafio envolvido.

Há tantas incógnitas quando se trata de buscar por tecnoassinaturas. Então, procuramos em qualquer lugar, a qualquer hora, e o máximo possível, afirmou Tremblay.

As ondas de rádio provenientes de outras galáxias teriam viajado por milhões de anos antes de chegar ao nosso Sistema Solar. As civilizações alienígenas teorizadas possivelmente já teriam desaparecido há muito tempo quando seus sinais fossem finalmente detectados. No entanto, o objetivo dos pesquisadores não é tanto confirmar a existência dessas civilizações, mas explorar a possibilidade de que elas possam ter existido em algum momento. Até que algo seja encontrado, esferas de Dyson e alienígenas do passado permanecerão no campo da ficção científica.