Aumento recorde de dióxido de carbono na atmosfera acende alerta para o clima do planeta

Publicado em 10/05/24 às 16:58

O dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa que contribuem para as mudanças climáticas provocadas pelo homem, continua a subir a uma taxa alarmante. Os dados mais recentes da Curva de Keeling, coletados no Observatório Mauna Loa em março de 2024, indicam que a concentração média mensal de CO2 na atmosfera agora é 4,7 partes por milhão (ppm), uma concentração muito maior do que a registrada no ano passado.

A “Curva de Keeling”, concebida pelo cientista Charles David Keeling, representa graficamente o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera terrestre. Os dados apresentados por essa curva são baseados em medições contínuas realizadas no Observatório Mauna Loa, na ilha do Havaí, desde 1958 até os dias atuais.

Segundo Ralph Keeling, diretor do Programa CO2 no Scripps Institution of Oceanography da UC San Diego e filho do criador original da Curva de Keeling, o aumento anual de 4,7 ppm é o maior aumento na concentração de CO2 já registrado. “Continuamos a quebrar recordes” nas taxas de aumento do CO2, disse Keeling, e a causa indiscutível desse fenômeno é o contínuo aumento no consumo mundial de combustíveis fósseis.

Uso de combustíveis fósseis contribui significativamente para as mudanças climáticas. / Imagem: Reprodução

Embora a concentração de dióxido de carbono continue aumentando, o novo recorde é parcialmente atribuído ao fim da temporada do El Niño. El Niño é um fenômeno climático global bem conhecido, causado pelos ventos e temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico tropical. As variações de temperatura seguem um padrão irregular, mas têm uma ocorrência um tanto cíclica.

Os eventos do El Niño influenciam as concentrações de CO2; o último grande crescimento do gás de efeito estufa, antes deste, ocorreu em 2016, ao final de um ciclo do El Niño. Agora, os aumentos nos níveis de CO2 provocados por este fenômeno natural somam-se aos efeitos dos gases originados pela queima de combustíveis fósseis.

Em junho do ano passado, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) informou que a concentração global de CO2 havia alcançado 421 ppm, um aumento de 50% em relação aos níveis pré-industriais. Com a atualização da Curva de Keeling, esses níveis chegaram a 426 ppm, os mais altos já registrados em milhões de anos.

Nos primeiros 6.000 anos da civilização humana, os níveis de CO2 se mantiveram estáveis em cerca de 280 ppm. Atualmente, as atividades humanas modernas, especialmente a queima de combustíveis fósseis, têm impulsionado significativamente as emissões de gases de efeito estufa, desencadeando uma série de eventos catastróficos como inundações, ondas de calor letais, secas e incêndios florestais.

Estudos recentes indicam que, nos períodos históricos em que as concentrações de CO2 atmosférico eram comparáveis às atuais, ocorreram alterações climáticas com potencial de ameaça à civilização.