China lança missão não tripulada para coletar amostras do lado oculto da Lua

Publicado em 04/05/24 às 07:21

Na tarde desta sexta-feira (3), a China alcançou um novo marco em seu ambicioso programa espacial ao lançar uma sonda não tripulada com a missão de coletar rochas e solo do lado oculto da Lua, uma façanha que nenhum outro país tentou até o momento.

O foguete Long March-5, o maior da China, decolou às 17h27 no horário de Pequim (06h27 no horário de Brasília) do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, transportando a sonda Chang’e-6, que pesa mais de 8 toneladas.

A missão da Chang’e-6 é pousar na Bacia do Polo Sul-Aitken, uma região que fica permanentemente voltada para o lado oposto da Terra, e depois retornar com as amostras coletadas.

Cratera Aitken / imagem: Reprodução

Em 2018, a Chang’e-4 realizou o primeiro pouso lunar não tripulado da China, também no lado oculto da Lua. Já em 2020, a Chang’e-5 marcou a primeira vez em 44 anos que amostras lunares foram trazidas para a Terra, e agora a Chang’e-6 poderá tornar a China o primeiro país a trazer amostras do lado “oculto” da Lua.

Cargas úteis internacionais

O lançamento da sonda contou com a presença de cientistas, diplomatas e representantes de agências espaciais de países como França, Itália, Paquistão e da Agência Espacial Europeia (ESA), todos com cargas úteis para estudo da Lua a bordo da Chang’e-6.

No entanto, nenhuma organização dos EUA solicitou um espaço para carga útil, de acordo com Ge Ping, diretor adjunto do Programa de Exploração Lunar e Espacial da Administração Espacial Nacional da China (CNSA). A legislação dos EUA proíbe qualquer colaboração da NASA com a agência espacial chinesa.

O lado oculto da Lua tem um mistério, talvez porque literalmente não podemos vê-lo, nunca o vimos exceto por sondas robóticas ou pelo pequeno número de humanos que estiveram do outro lado, disse Neil Melville-Kenney, oficial técnico da ESA que trabalha com pesquisadores chineses em uma das cargas úteis da Chang’e-6.

Após se separar do foguete, a sonda levará de quatro a cinco dias para alcançar a órbita lunar. No início de junho, algumas semanas mais tarde, está previsto o pouso.

Uma vez na Lua, a sonda passará dois dias escavando amostras, totalizando 2 quilos, antes de retornar à Terra, com pouso esperado na Mongólia Interior.

A janela para a coleta de amostras no lado oculto é de 14 horas, em comparação com 21 horas no lado visível.

As amostras trazidas pela Chang’e-5 permitiram que cientistas chineses descobrissem novos detalhes sobre a Lua, incluindo a datação mais precisa da atividade vulcânica lunar, além de um novo mineral.

Ge destacou o valor científico da Chang’e-6 devido à idade geológica da Bacia do Pólo Sul-Aitken, estimada em cerca de 4 bilhões de anos, muito mais antiga que as amostras previamente trazidas pela União Soviética e pelos Estados Unidos, que tinham cerca de 3 bilhões de anos, e as de 2 bilhões de anos da Chang’e-5.

Base Lunar

Além de desvendar novas informações sobre o corpo celeste mais próximo da Terra, a Chang’e-6 faz parte de um projeto de longo prazo para construir uma estação de pesquisa permanente na Lua: a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), liderada pela China e Rússia.

A construção de tal estação fornecerá um posto avançado para a China e seus parceiros prosseguirem na exploração do espaço profundo.

Sabemos que a Lua pode ter recursos que poderiam se tornar úteis no futuro, então a Agência Espacial Europeia, a NASA, a agência chinesa e outras ao redor do mundo estão indo à Lua, explicou James Carpenter, chefe do escritório de ciências lunares da ESA.

Parte da justificativa é entender esses recursos, acrescentou Carpenter.

Wu Weiren, principal projetista do Projeto de Exploração Lunar Chinês, falou na Conferência Espacial da China de 2024, no mês passado, que um “modelo básico” da ILRS seria construído até 2035.