Nova pesquisa revela que os humanos estão causando mudanças irreversíveis no subsolo do planeta

Publicado em 30/04/24 às 12:56

Um estudo pioneiro acaba de revelar que as intervenções humanas no planeta Terra estendem-se muito além das mudanças visíveis na superfície e no clima. Pesquisadores destacam que nossas atividades também provocaram transformações significativas no subsolo profundo, uma área que varia de algumas centenas de metros até vários quilômetros abaixo de nós.

Os cientistas concentraram-se no estudo da extração de combustíveis fósseis, como petróleo e gás, e nas técnicas associadas de injeção de água salgada em reservatórios subterrâneos. Este processo é essencial para manter a pressão desses reservatórios, mas altera profundamente as características da água já existente nesses locais, modificando tanto sua composição química quanto seu comportamento hidrodinâmico.

A pesquisa também abordou o fraturamento hidráulico, conhecido como fracking, um método utilizado para extrair óleo e gás de formações rochosas profundas. Este procedimento não só tem sido associado a terremotos em áreas geologicamente estáveis, mas também introduz substâncias estranhas, como água e bactérias, alterando a ecologia subterrânea.

Os resultados apontam para uma movimentação de fluidos no subsolo induzida por atividades humanas que supera em muito a circulação natural.

Nossas análises das taxas de produção de fluidos em comparação com a circulação natural de água evidenciam o impacto substancial das atividades humanas nos sistemas subterrâneos, declarou a professora Jennifer McIntosh, da Universidade do Arizona e autora sênior do estudo.

Considerando que a subsuperfície profunda raramente é contemplada em discussões ambientais cotidianas, é fundamental que proporcionemos uma visão clara dessas intervenções, particularmente em termos de impacto ambiental, complementou o professor Grant Ferguson, autor principal do estudo.

As incertezas quanto às interações no subsolo suscitam preocupações no contexto das soluções propostas para a crise climática. Estratégias como o armazenamento subterrâneo de dióxido de carbono, a extração de lítio para baterias e o aproveitamento da energia geotérmica podem ter implicações profundas e ainda não totalmente compreendidas.

Precisamos integrar o conhecimento sobre o subsolo profundo nas estratégias de mitigação da crise climática, afirmou McIntosh.

É paradoxal que tenhamos um entendimento mais detalhado da superfície de Marte do que do subsolo terrestre, onde interações vitais para nosso futuro estão ocorrendo.

Os resultados deste estudo foram publicados na revista “Earth’s Future” e destacam a necessidade urgente de mais pesquisas para entender completamente os efeitos das intervenções humanas no ambiente subterrâneo.