Telescópio da NASA revela planeta errante do tamanho da Terra vagando solitariamente pelo espaço

Publicado em 27/04/24 às 07:41

A NASA alcançou um marco impressionante com o seu Telescópio Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), especializado na busca de novos planetas. O observatório espacial identificou seu primeiro planeta livre, conhecido como planeta errante, um objeto terrestre potencialmente maior que a Terra, mas não significativamente. A descoberta foi possível através da análise de 1,3 milhão de curvas de luz coletadas ao longo dos anos de operação do TESS no espaço.

Os planetas errantes são um dos fenômenos mais intrigantes da astronomia, principalmente porque se acredita que existam em número superior aos planetas que orbitam estrelas. No entanto, esses planetas são raramente observados, em grande parte devido à complexidade em detectá-los. Esses mundos, frios e pequenos, tendem a se camuflar no vasto fundo cósmico.

A técnica de microlente é o método mais eficaz para identificar esses planetas. Esse processo ocorre quando um planeta passa diante de uma estrela distante, e sua gravidade distorce o espaço-tempo, funcionando como uma lente que amplifica a luz da estrela. Foi assim que o planeta errante foi identificado neste caso, conforme detalhado em um estudo pré-publicado que ainda está sob avaliação de pares.

A estrela envolvida neste fenômeno é conhecida como TIC-107150013, significativamente maior que o Sol, com um raio quase 13 vezes superior ao de nossa estrela e localizada a mais de 10.400 anos-luz de distância. O evento de microlente observado durou impressionantes 107 minutos. A distância estimada do planeta errante varia: se estiver a até 8.500 anos-luz da Terra, sua massa seria menor que 10 vezes a da Terra; se mais próximo, a cerca de 3.200 anos-luz, teria uma massa comparável à do nosso planeta.

Planeta errante vagando sozinho entre as estrelas / Imagem: Nasa

Liderada por Michelle Kunimoto e William DeRocco, da MIT e da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, respectivamente, a pesquisa destaca a capacidade única do TESS de explorar uma faixa de massas de planetas errantes inacessível a outros instrumentos, como o telescópio Nancy G. Roman, que também busca esse tipo de planeta.

Este achado representa apenas uma fração do potencial do TESS. Estima-se que o telescópio possa analisar até 100 vezes mais observações, o que ajudará enormemente na compreensão de como esses mundos desprovidos de estrelas se formaram. Alguns podem ter sido expulsos de seus sistemas originais devido a interações gravitacionais, enquanto outros, particularmente os mais massivos como os JUMBOs, poderiam ter se formado diretamente entre as estrelas.

Os detalhes desta descoberta foram submetidos ao periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e, enquanto aguardam revisão, podem ser consultados no arquivo pré-publicação do ArXiv.