Verme marinho bizarro tem olhos que pesam 20 vezes mais que o resto da cabeça

Publicado em 10/04/24 às 07:13

Uma equipe internacional de cientistas desvendou um mistério intrigante no mundo subaquático do Mediterrâneo: os vermes Vanadis, apesar de sua aparência peculiar, possuem uma visão surpreendentemente avançada e podem até mesmo se comunicar secretamente por meio de luz.

Os Vanadis são notórios por suas cabeças adornadas com olhos que parecem desproporcionalmente grandes em comparação com seus corpos. Pesando cerca de 100 kg, esses órgãos visuais representam um quinto do peso total da cabeça dos vermes.

Vanadis / imagem: Michael Bok

Mas por que esses vermes marinhos precisariam de olhos tão grandes?

Para responder a essa pergunta, os pesquisadores embarcaram em uma jornada de exploração das capacidades visuais dessas criaturas únicas. Através de uma combinação de análises morfológicas, testes eletrofisiológicos e análises ópticas, eles revelaram uma verdade surpreendente: os Vanadis possuem uma visão extraordinária.

É como se esses vermes estivessem equipados com uma câmera de alta resolução em cada olho, explica Anders Garm, autor principal do estudo.

Eles são capazes de acompanhar objetos pequenos e seus movimentos com uma precisão que rivaliza com a de mamíferos superiores, como ratos e camundongos.

A descoberta mais intrigante veio quando os pesquisadores perceberam que a visão dos Vanadis está sintonizada especificamente na luz ultravioleta (UV). Essa peculiaridade levantou a hipótese de que os vermes podem estar utilizando a bioluminescência UV como uma forma de comunicação secreta entre eles.

Geralmente associamos bioluminescência com criaturas marinhas, mas a capacidade de detectar e responder a luz UV é excepcionalmente rara, diz Garm.

Acreditamos que os Vanadis desenvolveram essa habilidade não apenas para se comunicar, mas também para se proteger de predadores, permanecendo invisíveis na escuridão.

A ideia de uma linguagem secreta baseada em luz UV entre os vermes marinhos certamente adiciona um toque de mistério à narrativa científica. No entanto, os pesquisadores estão entusiasmados com as implicações mais amplas dessa descoberta.

Essa é a primeira vez que observamos a adaptação de uma criatura para a bioluminescência UV, o que abre novas perspectivas para o estudo da comunicação animal e da evolução visual, conclui Garm.

O estudo, intitulado “Visão ultravioleta excepcional em um verme marinho noturno”, foi publicado na prestigiosa revista Current Biology.