Betavolt desenvolve bateria nuclear que dura 50 anos
Por Sandro Felix
Publicado em 17/01/24 às 15:33
A Betavolt New Energy Technology, uma empresa chinesa líder em inovações energéticas, acaba de revelar uma notável conquista na área de baterias nucleares. Sua mais recente criação, denominada BV100, apresenta uma abordagem revolucionária ao combinar um isótopo radioativo de níquel-63 (⁶³Ni) com um semicondutor de diamante de 4ª geração. Essa inovação promissora tem o potencial de alimentar dispositivos por incríveis 50 anos.
Embora as baterias nucleares possam parecer uma tecnologia altamente avançada, sua história remonta ao início dos anos 1950, principalmente na forma de geradores radiotérmicos. Estes dispositivos convertem o calor gerado pela decomposição de elementos radioativos em eletricidade, utilizando termopares ou motores Stirling.
Uma revolução nesse campo ocorreu em 2016, com a introdução de um novo princípio que emprega camadas de diamante dopadas com isótopos radioativos. No caso da BV100, a escolha recaiu sobre o níquel-63 (⁶³Ni), um isótopo capaz de liberar partículas Beta (β⁻), essencialmente elétrons ou pósitrons de alta energia e velocidade. Quando liberadas, essas partículas geram uma corrente elétrica ao interagir com a matriz de diamante, que atua como um semicondutor.
A BV100 destaca-se ao empregar duas camadas semicondutoras de diamante de cristal único, cada uma com espessura de 10 mícrons, intercaladas por uma camada de 2 mícrons de ⁶³Ni. Esses “sanduíches” não apenas geram corrente individualmente, mas também podem ser empilhados ou conectados, formando células voltaicas independentes. Tudo isso é encapsulado em uma caixa protetora, garantindo proteção contra radiação e danos físicos.
As dimensões compactas da BV100, medindo 15 x 15 x 5 mm, não refletem sua capacidade impressionante. Produzindo 100 microwatts a 3 volts, a Betavolt acredita que essas baterias poderão alimentar dispositivos, como telefones celulares, eliminando a necessidade de recarga frequente, ou manter pequenos drones no ar indefinidamente.
A empresa já está conduzindo uma produção piloto do BV100, com planos de expansão para a produção em massa. Uma versão de um watt é esperada em 2025. A densidade de energia da BV100 supera em 10 vezes a das baterias de lítio, oferecendo não apenas eficiência energética, mas também segurança, pois não é propensa a incêndios ou explosões. Além disso, como gera eletricidade em vez de armazená-la por meio de reações químicas, a BV100 não enfrenta os problemas tradicionais de ciclos de recarga. O decaimento do ⁶³Ni em cobre não radioativo minimiza os riscos ambientais, tornando esta inovação uma promissora alternativa para o futuro da energia sustentável.