
Coreia do Sul anuncia lei histórica para proibir criação e abate de cães para consumo humano até 2027
Por Sandro Felix
Publicado em 10/01/24 às 16:01
A Coreia do Sul divulgou nesta terça-feira (9) uma legislação inovadora com o objetivo de erradicar a venda e o abate de cães destinados ao consumo humano até o ano de 2027.
Segundo a BBC News, estima-se que o país tenha aproximadamente 1.600 restaurantes especializados em carne canina e 1.150 fazendas dedicadas à criação de cães até o ano de 2023.
O “boshintang”, um ensopado de carne de cachorro, é considerado uma iguaria entre as gerações mais antigas, embora tenha perdido popularidade entre os jovens sul-coreanos.
A legislação recém-aprovada proíbe a criação e o abate de cães para consumo humano, bem como práticas relacionadas à distribuição e venda de carne de cachorro. A Assembleia Nacional do país ratificou a proibição, marcando um avanço significativo nessa questão.
De acordo com a nova lei, aqueles que infringirem essas regras, abatendo cães, poderão enfrentar até três anos de prisão ou uma multa máxima de 30 milhões de won (cerca de 23 mil dólares). Já os envolvidos na venda ou criação de cães para fins alimentares podem cumprir até dois anos de pena.

Vale ressaltar que o consumo de carne de cachorro em si não se tornará ilegal. A implementação da lei está prevista para 2027, permitindo que os participantes da indústria de carne canina abandonem gradualmente seus negócios e encontrem alternativas de emprego. O governo sul-coreano afirmou que apoiará os afetados, embora detalhes específicos ainda não tenham sido divulgados.
Essa mudança legislativa reflete uma atitude divergente entre as gerações mais jovens na Coreia do Sul, que tendem a ver os cães como animais de estimação em vez de considerá-los uma fonte de carne, conforme indicado por uma pesquisa da Gallup Coreia. A pesquisa, divulgada pela CNN, revelou que o consumo de carne de cachorro diminuiu de 27% em 2015 para 8% em 2022.
Apesar da aprovação, nem todos estão satisfeitos com a nova lei. Tradicionalmente, a carne de cachorro era consumida no verão para aliviar o calor e representava uma fonte acessível de proteína. Um residente de Seul, Kim Seon-ho, de 86 anos, expressou sua insatisfação à BBC, questionando a proibição da carne de cachorro enquanto outras carnes permanecem liberadas.
Por outro lado, defensores do bem-estar animal estão entusiasmados com a notícia, após anos de pressão para promover essa mudança. JungAh Chae, diretor executivo da Humane Society International/Coréia, compartilhou sua satisfação com o The Guardian, afirmando: “Nunca pensei que veria, em minha vida, a proibição da cruel indústria de carne de cachorro na Coreia do Sul, mas esta vitória histórica para os animais é uma prova da paixão e determinação do nosso movimento de proteção animal.”
