2023 foi o ano mais quente da Terra em mais de 100.000 anos revela cientistas
Por Sandro Felix
Publicado em 10/01/24 às 15:44
No ano de 2023, a Terra testemunhou uma realidade climática alarmante, marcando oficialmente o ano mais quente já registrado, com um aumento significativo em relação ao recorde anterior. De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, a temperatura média global superou os níveis pré-industriais do século XIX em 1,48°C e ultrapassou a média de 1991-2020 em 0,60°C.
Essas cifras representam um aumento de 0,17°C em relação ao recorde estabelecido em 2016, sinalizando uma tendência contínua de aquecimento. Samantha Burgess, vice-diretora do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, alerta que as temperaturas de 2023 provavelmente superaram qualquer período nos últimos 100.000 anos.
Além disso, 2023 testemunhou a quebra de vários recordes climáticos alarmantes:
- Pela primeira vez, todos os dias registraram temperaturas médias globais de mais de 1°C acima dos níveis pré-industriais.
- Quase metade dos dias em 2023 experimentaram temperaturas de mais de 1,5°C acima do período pré-industrial de 1850-1900.
- Dois dias de novembro foram excepcionais, com temperaturas superiores a 2°C em relação ao período de 1850-1900.
- Julho e agosto de 2023 estabeleceram-se como os dois meses mais quentes já registrados.
- As temperaturas médias do ar atingiram níveis recorde em extensas áreas de todas as bacias oceânicas e continentes, com exceção da Austrália.
Além disso, as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono e metano atingiram níveis críticos em 2023, alcançando 419 partes por milhão e 1902 partes por milhão, respectivamente.
O ano recorde foi impulsionado por condições quentes sem precedentes desde junho, coincidindo com um evento El Niño, uma fase do ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENSO) que eleva as temperaturas globais. Embora o El Niño seja um fenômeno natural, os registros destacam a influência significativa das atividades humanas na crise climática.
Os cientistas do clima enfatizam que a crescente concentração de gases de efeito estufa resulta da queima de combustíveis fósseis, práticas agrícolas intensivas e outras atividades humanas. Urgem, mais uma vez, para uma transição imediata para fontes de energia sustentáveis, destacando a necessidade crucial de ações concretas para enfrentar os impactos profundos dessa crise climática.
Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, observa que as observações extremas destacam a urgência de descarbonizar a economia global. Ele enfatiza a importância de utilizar dados e conhecimentos climáticos para preparar o mundo para um futuro em constante transformação.