Cientistas encontram local da cratera de impacto mais recente da Terra
Por Sandro Felix
Publicado em 06/12/23 às 16:03
Recentemente, cientistas planetários divulgaram descobertas importantes sobre a localização de um impacto de asteroide na Terra, ocorrido há cerca de 789 mil anos. Embora evidências da magnitude e cronologia desse evento tenham sido encontradas em diversas partes do mundo, identificar a cratera exata no sul do planalto vulcânico de Bolaven, em Laos, se revelou um desafio que exigiu décadas de pesquisa.
A região do Sudeste Asiático e até mesmo a Austrália abrigam inúmeras rochas, conhecidas como tectitas, formadas durante o impacto cósmico ocorrido na data mencionada. Essas rochas vítreas de tonalidade escura representam a maior dispersão de detritos provenientes de um evento extraterrestre, estendendo-se até Madagascar e a Antártida.
Embora colisões de maior escala, como aquela que deu origem à cratera de Chicxulub, tenham produzido dispersões ainda mais extensas, as evidências desses eventos foram em grande parte encobertas por processos geológicos ao longo do tempo. As tectitas conhecidas como “campo espalhado da Australásia” são notavelmente recentes, permanecendo visíveis em muitos locais, testemunhando um impacto de grande magnitude, possivelmente o maior desde Zhamanshin.
A busca pela cratera correspondente a esse impacto de grandes proporções concentrou-se no planalto Bolaven, situado no sul do Laos. A combinação de condições geológicas desafiadoras, densa floresta tropical e o relativa isolamento político da região contribuíram para manter o local oculto por tanto tempo. A presença de munições não detonadas, remanescentes de conflitos passados na área, também complicou os esforços de pesquisa.
No entanto, a persistência dos cientistas acabou revelando segredos ocultos. Em 1983, a descoberta de um depósito de cascalho sob tectitas no Vietnã forneceu uma pista crucial. A “catastro-loess”, uma camada de poeira proposta como resultado do impacto, foi identificada acima desse depósito. Utilizando essas pistas, a equipe liderada pelo professor Kerry Sieh, da Universidade Tecnológica de Nanyang, ampliou sua investigação, culminando na identificação do local por meio de uma camada de rochas denominada diamicton Bolaven. Acredita-se que esse diamicton tenha se formado devido à força do impacto, que quebrou e lançou ao ar arenito antigo e lava basáltica.
A sugestão de que a cratera está localizada dentro do Campo Vulcânico de Bolaven já havia sido levantada anteriormente, mas as evidências não eram suficientemente robustas. A equipe, no entanto, busca persuadir os geólogos céticos, apresentando cinco conjuntos de dados independentes que convergem para a mesma conclusão.
Por exemplo, os tectitos da idade apropriada são mais abundantes na parte superior do diamicton ou acima dele, mesmo estando dispersos a milhares de quilômetros de distância. Além disso, dentro de 200 quilômetros do local proposto, os tectitos do tipo MN predominam, destacando a singularidade desse local específico.
A pesquisa completa foi publicada no periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences”.