Novo estudo revela que ‘A Grande Esfinge de Gizé’ pode não ter sido esculpida apenas por humanos
Por Sandro Felix
Publicado em 06/11/23 às 16:13
A Grande Esfinge de Gizé, como as pirâmides, é uma maravilha arqueológica que tem confundido os pesquisadores por séculos. No entanto, uma pesquisa recente sugere que sua origem pode estar mais intimamente ligada à ação dos elementos naturais do que se pensava anteriormente. Novos estudos conduzidos em condições climáticas simuladas da época da construção do monumento indicam que a forma básica da Esfinge pode ter sido moldada principalmente pela erosão eólica, restando aos antigos egípcios apenas a tarefa de esculpir os detalhes mais sutis.
O pesquisador Leif Ristroph, líder do estudo, explicou que “Nossas descobertas oferecem uma possível ‘história de origem’ de como as formações semelhantes à Esfinge podem surgir da erosão.” Isso implica que formas semelhantes à Esfinge podem ter se originado da erosão causada por ventos rápidos, desafiando a ideia de que a estátua foi construída do zero pelos antigos egípcios.
A inspiração para essa teoria veio das inúmeras formações rochosas chamadas Yardangs que são encontradas em desertos ao redor do mundo. Essas estruturas são criadas pela erosão eólica e frequentemente apresentam semelhanças notáveis em termos de forma e proporção com a Grande Esfinge. A hipótese levantada é que a Esfinge icônica poderia ter sido originalmente um yardang natural que os antigos egípcios transformaram em uma representação de uma criatura mítica com cabeça de humano, corpo de leão e asas de águia. Em vez de construir o monumento do zero, eles teriam refinado uma formação já existente no deserto.
Ristroph apontou que “Existem, de fato, hoje em dia Yardangs que se parecem com animais sentados ou deitados, dando apoio às nossas conclusões”. Para testar essa teoria, os pesquisadores construíram montes de argila macia com material mais resistente embutido em seu interior, imitando o terreno em Gizé. Essas estruturas foram então submetidas a um túnel de água que reproduziu os ventos predominantes do nordeste do Egito.
O resultado foi impressionante. Os pesquisadores observaram como o monte inicialmente inexpressivo se transformava em uma representação majestosa de um leão à medida que a água em movimento rápido erodia a argila, moldando os materiais mais resistentes em uma cabeça cilíndrica e criando uma “sombra do vento” que protegia o corpo. O fluxo de água turbulenta esculpiu as costas curvadas da criatura, enquanto um fluxo acelerado abaixo da cabeça moldava o pescoço, os membros anteriores e as patas da besta mitológica.
Ristroph explicou que “As formas inesperadas vêm da forma como os fluxos são desviados em torno das partes mais duras ou menos erodíveis”. Em resumo, os resultados do estudo sugerem que os antigos egípcios poderiam ter encontrado formações semelhantes nos desertos do Egito, o que os teria inspirado a conceber a criatura fantástica que hoje é conhecida como a Grande Esfinge.
O estudo completo foi publicado na Physical Review Fluids e seu resumo foi apresentado na 75ª Reunião Anual da Divisão de Dinâmica de Fluidos da APS.