A vida no Nosso Planeta | Novo documentário de Spielberg para Netflix é cientificamente correto?

Publicado em 30/10/23 às 16:28

Na semana passada, a Netflix lançou o ambicioso documentário onde Steven Spielberg nos leva de volta à era dos dinossauros em nosso planeta. “Life on Our Planet” ou “A vida no Nosso Planeta” é a nova série produzida pelo renomado diretor de Hollywood e desenvolvida pela Silverback Films, uma equipe de especialistas apaixonados que já trabalhou com ícones como David Attenborough. A série compreende oito episódios que narram a história épica das cinco extinções em massa que a Terra enfrentou até chegar ao estado atual.

Com o documentário agora disponível, muitos espectadores estão analisando com interesse essa proposta de enorme valor histórico. Alguns podem se perguntar o quão verdadeiro é o que nos é apresentado, mas para a surpresa de todos, “A vida no Nosso Planeta” foi criado com a intenção de ser o mais fiel à realidade possível.

Um recente artigo publicado no portal “Den of Geek” revela que a produção de “A vida no Nosso Planeta” exigiu mais de quatro anos de intensa preparação. Por trás dessa série estão Keith Scholey, Alastair Fothergill e Dan Tapster, os mesmos produtores que trouxeram anteriormente o documentário “Our Planet” para a Netflix, apresentado por Sir David Attenborough.

Para dar vida ao documentário, os produtores se inspiraram em um clássico documentário de Attenborough de 1979, intitulado “Life on Earth”. Esse documentário abordou a história da vida na Terra ao longo de milhões de anos, incluindo diversas extinções significativas. A equipe de produção buscou elevar esse material de referência a um novo patamar nunca antes visto.

Um dos pilares fundamentais da produção era garantir a autenticidade científica do conteúdo narrado. Para isso, a equipe utilizou as pesquisas mais recentes da “era de ouro da paleontologia”. Com o auxílio de paleontólogos, cientistas e o principal pesquisador científico, Dr. Tom Fletcher, e um grupo de consultores, a produção refinou a lista de criaturas que seriam apresentadas na série, chegando a cerca de 65 espécies, cada uma escolhida por sua importância para a narrativa.

O documentário também se valeu das evidências fósseis mais recentes para recriar de forma realista os desenhos, movimentos e comportamentos das criaturas. Uma técnica chamada “extrapolação filogenética” foi usada para preencher as lacunas, estudando os descendentes sobreviventes mais próximos de animais extintos. Cada espécime apresentado no documentário foi acompanhado por um arquivo de dados de 60 páginas, garantindo a precisão.

A direção e fotografia de “A vida no Nosso Planeta” são notavelmente realistas, pois as locações reais foram combinadas com criaturas geradas por efeitos especiais de última geração da Industrial Light & Magic. Embora o desafio tenha sido imenso, a equipe conseguiu criar apenas uma sequência totalmente gerada em CGI em toda a série. Cada episódio consiste em entre 30 e 40% de imagens geradas por computador, complementadas pela cinematografia de alta qualidade.

Os efeitos visuais criados pela Industrial Light & Magic são tão precisos que paleontólogos chegaram a utilizá-los em artigos científicos. A precisão alcançada é notável, como demonstrado pelo caso do Lystrosaurus, cuja recriação foi tão precisa que um paleontólogo consultor a utilizou em um artigo científico.

“A vida no Nosso Planeta” aborda diversas extinções graves e cruciais, todas respaldadas pela ciência, como os afloramentos de magma na Sibéria há 252 milhões de anos e o impacto do asteroide que dizimou a maioria dos dinossauros e 75% das espécies do planeta. A série, narrada por Morgan Freeman, enfatiza a possibilidade de futuras extinções em massa causadas por nós mesmos, destacando a importância de compreender o passado para moldar o futuro.

“A vida no Nosso Planeta” já está disponível na Netflix desde 25 de outubro de 2023, oferecendo aos espectadores uma visão impressionante da história da vida na Terra.