Descoberta de pegadas de dinossauros no Brasil e em Camarões indica ligação entre os dois países no passado

Publicado em 01/09/24 às 07:11

Uma descoberta recente está lançando luz sobre a conexão entre os continentes sul-americano e africano há milhões de anos. Uma equipe internacional de pesquisadores identificou mais de 260 pegadas de dinossauros, localizadas a mais de 5.900 quilômetros de distância, no Planalto da Borborema, no nordeste do Brasil, e em Camarões, na África. A pesquisa foi publicada pelo Museu de História Natural do Novo México e inclui a participação do geólogo brasileiro Ismar de Souza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

As pegadas, que datam de aproximadamente 120 milhões de anos atrás, oferecem evidências convincentes de que os dinossauros teriam caminhado por um estreito corredor que conectava as massas de terra que, na época, formavam o supercontinente Gondwana. Este corredor teria existido antes da separação definitiva dos continentes, quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas.

Pegadas de terópodes na Bacia de Sousa, no nordeste do Brasil/ Imagem: Ismar de Souza Carvalho

Um corredor de dispersão entre continentes

A semelhança nas pegadas encontradas em lados opostos do Atlântico sugere que esses dinossauros poderiam ter migrado de um continente ao outro através do que os cientistas estão chamando de “Corredor de Dispersão de Dinossauros”. Segundo os pesquisadores, essa rota teria facilitado o movimento dos dinossauros entre as regiões que, hoje, são separadas pelo oceano.

“As pegadas de dinossauros nos ajudam a entender a história geológica de uma região que se separou há milhões de anos”, comentou o paleontólogo Louis L. Jacobs, da Southern Methodist University, no Texas, e principal autor do estudo, em entrevista ao The New York Times.

A maioria das pegadas registradas pertence a terópodes carnívoros de três dedos, conhecidos por serem predadores bípedes. No entanto, também foram encontradas marcas deixadas por saurópodes de pescoço longo, além de alguns ornitísquios, uma diversificada superfamília de herbívoros. Essas descobertas apontam para uma rica diversidade de espécies que habitavam essas regiões durante o período Cretáceo.

Implicações para a história geológica

O estudo sugere que o nordeste brasileiro, especificamente a região do Planalto da Borborema, estava intimamente ligado à área que hoje é o Golfo da Guiné, na África. A configuração dos continentes naquela época, como parte do supercontinente Gondwana, permite que essas descobertas sejam entendidas como um testemunho das mudanças geológicas e climáticas que moldaram o planeta.

Essa pesquisa não apenas reforça a ideia de que os dinossauros percorriam grandes distâncias, mas também destaca a importância das pegadas fósseis como registros vitais para a compreensão das interações entre diferentes espécies e seus ambientes ao longo da história geológica da Terra.

Perspectivas futuras

As descobertas ainda estão sendo analisadas, e os pesquisadores planejam realizar estudos adicionais para mapear com mais detalhes a rota exata desse corredor de dispersão. Este trabalho poderá revelar novos aspectos sobre as migrações de dinossauros e a configuração dos continentes durante o período em que essas criaturas dominavam a Terra.